31.7.03

Não será propriamente de chorar...

Chamou-me à atenção uma noticia da CNN e resolvi, por curiosidade, seguir os links. Telegraficamente: o Vaticano volta à carga sobre as uniões de Homossexuais e a aprovação de leis que legalizem essas uniões.
O documento pode ser lido aqui.

Correndo o risco de citar fora do contexto transcrevo aqui um trecho, curiosamente retirado de uma nota ao documento:
Deve, além disso, ter-se presente que existe sempre « o perigo de uma legislação, que faça da homossexualidade uma base para garantir direitos, poder vir de facto a encorajar uma pessoa com tendências homossexuais a declarar a sua homossexualidade ou mesmo a procurar um parceiro para tirar proveito das disposições da lei » (Congregação para a Doutrina da Fé, Algumas Considerações sobre a Resposta a propostas de lei em matéria de não discriminação das pessoas homossexuais, 24 de Julho de 1992, n. 14).

Que o pessoal abusa dos empréstimos jovens e contas poupança habitação com fins de obter regalias fiscais já eu desconfiava... agora afirmar-se homossexual para tirar proveito de disposições legais... sinceramente parece-me exagerado. No minimo.

Do choro

Lembram-se da Tatiana? Volta de novo à Cibertúlia (com a transcrição - consentida - do seu artigo na Voz da Póvoa).

«Vi muitas lágrimas de alegria em Sevilha. Eram gordas e não queriam escorrer pela cara abaixo. Preferiam ficar à espera que um raio de sol as fizesse brilhar.
Hoje o arrumador que me ajudou a estacionar estava a chorar porque não aguentava as dores da ressaca de heroína.
Tenho uma tia que chora em quase todos os filmes e uma amiga que deixa os namorados desconcertados porque não há noite de paixão que não desate num pranto.
Mas o mais impressionante é a ausência das ditas: ver um filho não chorar por um pai que lhe era mais querido do que todos os que ficaram. Quando a emoção é tão forte que nem sequer consegue ganhar consistência. Quando a mente não assimila a tragédia.
Porque o choro é por natureza finalizador. Só se chora quando se entendeu.
Antes das glândulas lacrimais produzirem aquela secreção aquosa com cloreto de sódio, recebem uma ordem do cérebro. Se o superior hierárquico estiver em choque, a mensagem não chega a ser comunicada.
Desaprendemos a chorar. Aliás, começamos lindamente: somos especialistas à nascença. Qualquer desconforto, soamos o alarme. Desde a fralda mal posta à mama da mãe que sabe a creme hidratante.
Depois vamos perdendo a noção de oportunidade. É a única explicação para não chorarmos no trânsito. Nada é mais angustiante do que estar preso dentro dum automóvel com vontade e necessidade de estar noutro lugar. Quando sabemos que o patrão não vai aceitar a desculpa dos engarrafamentos. Quando temos a certeza que o nosso filho de 6 anos, que nunca vamos buscar à escola a horas, nos vai perguntar outra vez se é mesmo preciso ter 18 anos para se tirar a carta e se é mesmo proibido andar de triciclo na auto-estrada.
Nessas alturas fazemos cara séria e desatamos a desbobinar desculpas em vez de nos desfazermos em lágrimas.
Estas férias vou-me vingar de todos os momentos de contenção. Vou passar os dias a chorar.»


Ontem, a ver «Once and Again/Começar de novo» (RTP2, 23h) também me apeteceu vingar-me de todos os momentos de contenção. E voltar para o deserto.

Pequenas férias

A C., de quatro anos, informou-me hoje que «segunda-feira» vai de férias.

Vírgulas de outras vozes

O Zé vai hoje de férias. Ontem fomos ao cinema ver o Hulk. Eu gostei mais do que ele. Mas ambos experimentámos o travo da desilusão por esperarmos mais de Ang Lee, o realizador. E definitivamente não é um filme de acção.

Há dias descobri uma vírgula, cibertuliana de outras épocas, que nos sobressalta em cada "post" colocado. Descubram-na, já. E daí partam para outra viagem, com sabor a sal, também proposta por ela. A pena que tenho daquela pena não escrever também aqui.

Por fim, ainda tocado pelo regresso do deserto do Carlos, convido-vos a experimentar uma outra voz que vem do deserto. Incisiva, única, evangélica (para dar o toque ecuménico que tem faltado às nossas conversas). E com paixões que partilhamos, como a de Nusrat Fateh Ali Khan.

Digo eu...

Em relação à questão aqui colocada pelo Primo tenho andado, paulatinamente, a monologar mentalmente comigo mesmo. Tal como o Zé tenho que concordar que, no actual panorama político-social, muito dificilmente um sistema desses vingava. Muito rapidamente:
1. Os políticos, num sistema de sufrágio constante, mensal/semanal/diário, tenderiam para a demagogia e populismo de forma a se manterem no poder. As reformas necessárias para resolver problemas de fundo, normalmente caracterizam-se por atingir resultados no médio/longo prazo, enquanto se tornam impopulares no curto prazo. Ora...
2. A falta de maturidade política de grande parte da população tenderia a re-eleger/demitir políticos com demasiada "à-vontade", conforme as políticas agradassem ou não.
3. Os agentes económicos, os investidores, não pactuam com este tipo de instabilidade governativa. Fogem disso a sete pés. E são estes investidores que, quer se queira quer não, são o motor das actuais organizações político/sociais.

Não obstante, volta e meia, e porque sou programador, fugiu-me a pesquisa para as componentes práticas de suporte a um sistema desses. A coisa só funcionaria através de sufrágios electrónicos, onde o acesso ao voto é facilitado e a velocidade a apurar os resultados é incomparável aos sistemas actuais. Mas e quanto às fraudes? Sistemas electrónicos de tratamento de informação sensível já existem actualmente com maior complexidade e a segurança exigida. Estou a falar do e-banking ou mesmo da entrega do IRS On-Line. Perante estes sistemas, um que gerisse apenas um "sim" ou "não" a partidos políticos parece-me bastante simples. E no entanto...

Eis o que, de mais recente, me veio parar à rede.
As próximas eleições na Índia, no próximo ano, decorrerarão exclusivamente com recurso a máquinas de voto electrónico.

Existem grandes reservas quanto à adopção do voto electrónico. Isto porque existem exemplos de "bugs" em algum do software usado. Nomeadamente em um desse exemplos o software baralhou os "sims" com os "nãos" de forma irremediável. Outra das polémicas prende-se com as incontornáveis fraudes. Assim este artigo compara a utilização de software open-source, ou seja o código disponível para quem o queira ver, ou software proprietário de determinada entidade, género caixa-preta.

A verdade é que fraude sempre houve em eleições, suponho que desde que nos tempos primitivos se elegiam os chefes de tribo... no entanto, nestes sistemas electrónicos, esse perigo inclusive diminuem uma vez que é preciso um know-how muito específico para ludribriá-los. Em caso de suspeita é mais fácil pesquisar quem teria esse know-how...

Em conclusão qu'isto já vai longo.
O voto electrónico, se bem implementado, tem quanto a mim todas as vantagens quer em termos de celeridade na obtenção dos resultados, que evitaria as maratonas televisivas em dia de eleições com, cada canal, a apresentar resmas de analistas a analisaram e re-analisarem por outras palavras, para passar tempo, enquanto não chegam os escrutínios... quer em termos de incentivo ao voto. Eu lembro-me que detestava ir ao meu banco, meter-me em filas, esperar... agora com acesso pela internet vou lá, às vezes, duas vezes por dia. Só para me distrair... e sem sair de casa. Da mesma forma se pudesse, em dia de eleições, votar de uma qualquer praia do país, por sms... é apenas uma ideia.
Não necessariamente para efeitos de sufrágio, mas penso que brevemente teremos uma maior participação electrónica, das sondagens de opinião à actuação do governo e não só. Com amostras muito mais vastas as margens de erro diminuem. Os resultados deixam de ser díspares, consoante a entidade que efectue a sondagem. Passaria a saber-se de facto o que pensa a população mês a mês, semana-a-semana, dia-a-dia... o que se faria depois com essa informação?

30.7.03

Do deserto

Há momentos em que apetece parar. Ser chamado ao deserto, para ouvir-Te falar ao nosso coração. Andamos embrenhados nos dias e nas noites, passamos apressados pelos outros na cidade, esquecemo-nos de olhar para Aquele que habita em nós.

O Carlos - amigo de alguns que por aqui passam (tantas vezes apressados) - esteve este ano no seu deserto. Ontem recebemos uma carta dele em casa, a anunciar que está «de regresso». E com as suas palavras fala-nos ao coração, como o Senhor que seduziu a sua mulher (Oseias 2, 16).

Sem e-mail, quase sem telefone, recebeu 134 cartas em dez meses. E escreveu muitas mais. Nós não lhe escrevemos tanto assim - mas tivemo-lo presente e quisemo-lo celebrante naquilo que foi o momento da nossa história feito único. Como não devemos escrever mais para a morada deste ano, adverte-nos, procuro estoutra morada no deserto para lhe dizer do quanto a sua travessia foi também a nossa.

Despojado de sandálias, o Carlos voltou constantemente à brisa, «[acolhendo] cada dia com a certeza da Páscoa!»

Espartilhados entre a família, os amigos, a casa, o emprego, os transportes, os blogues, a espuma dos dias acaba por esconder a beleza da sarça ardente, da paixão que é a vida. Vou lá fora olhar o céu, sentir a brisa suave. E amar.

«Reconheço Deus na brisa suave, ao jeito de Elias, e na sarça ardente, como Moisés. Preciso da experiência da brisa suave para criar disponibilidade para a intensidade do fogo; preciso da paixão do fogo para que o desejo da brisa seja sempre maior e mais profundo.»
Apetece parar - e saborear. Bem-vindo, Carlos!

29.7.03

Silly season

Dias úteis, serviços inúteis. Prometem-nos activar a linha em 48 horas ou responder de oito a dez dias... quando passa o prazo e telefonamos a saber novidades, a resposta é invariavelmente a mesma: "48 horas úteis", "oito a dez dias úteis" - e acrescentam: "Devem-lhe ter dito!" Não, não disseram! Nunca dizem.

Pedaços. Uma mulher nos seus 40 (uns charmosos 40) e uma "t-shirt" com os dizeres "pieces of peace". É também por pedaços destes que vale a pena fazer a paz.

Corrector poluído. Escrevo Quercus no computador. O corrector ortográfico não reconhece a palavra e propõe várias hipóteses de alteração. A primeira é hilariante: «quer cus». Tal e qual.

28.7.03

Covilhã

Cresci na Covilhã.
Sempre achei que é uma das cidades mais feias de Portugal.
Cidade operária e de patrões.
Esta semana fiquei contente por ter algo a ver com aquelas gentes.

Democracia, Fogos e quejandos

Realmente alguma coisa se passa comigo.
Há uns tempos atrás ouvi a nova música da Madona na rádio e gostei, achei piada, só mais tarde reparei que era a Madona. Agora para além de me rever na música da Madona, sinto empatia pelo Pacheco Pereira, felizmente vou de férias esta semana.
Esta semana ainda tenho o meu último exame do mestrado, depois o descanso.
Descanso primeiro num retorno às origens, por terras de Riba Côa que convido todos a conhecer, nem que seja porque é perto de Salamanca onde se bebem umas boas canas na Plaza Mayor. E depois uma semanita de banhos no Algarve.

1 -
Primo não posso concordar com a tua proposta.
Uma democracia precisa de estabilidade para se conseguir implementar políticas para o bem comum e não apenas pela vontade do povo. Estou convencido que por vontade do povo tínhamos estádios de futebol novos em vez de saneamento básico e água potável. Por vontade do povo tínhamos uma casa em cada pedacinho de terreno em vez de um desenvolvimento articulado da urbe. Por vontade do povo as pessoas ficavam meses a fio presas até serem formalmente acusadas em vez da justiça ser célere, justa e zelar pelos interesses das vítimas e dos arguidos tal como estipula a Constituição. Por vontade do povo tínhamos um Cherne como primeiro ministro em vez de um Sapo. Felizmente que há estabilidade política desde o 2º Governo do Cavaco e já não se faz a vontade ao povo mas sim o Estado e o Governo zelam pelo bem comum. Ou será que não é bem assim ???

A democracia é um processo em construção. Passa pelas relações laborais, com os chefes, com os colegas e com os subordinados. Passa pela atenção e pela reflexão do que se diz e faz. Passa pelo voto consciente. Passa pela relação com a pessoa amada. A democracia é um processo em construção transversal à pessoa, passa por todas as suas esferas de relações, é sem dúvida a base do nosso modo de estar, do nosso ser. Sem democracia não há liberdade a sério. A paz, o pão, a habitação, a saúde ....

2 –
Pede-me o Miguel que fale de fogos florestais. Como o Diogo é capaz de estar horas a falar de Globalização, também eu sou capaz de falar horas sobre os fogos florestais. Para quem não sabe a minha formação de base é em Engenharia Florestal. Por isso e como já vai longa a prosa fica para a próxima.

Apagar os fogos

[Ao Zé! Preciso que apagues alguns fogos.]

Anda o Pacheco Pereira aflito porque a blogosfera esquece matérias importantes:
«Matérias que não entram nos blogues: pobreza, desemprego, levar os filhos à escola às oito da manhã, cozinhar (sem ser por prazer), trabalhos domésticos, trabalho de um modo geral com excepção de algum trabalho intelectual, doenças, quase todas as formas de escassez. Lugares que não entram: locais de trabalho fora de universidades, escolas, firmas de informática, telecomunicações, e jornais, nove décimos de Portugal e muito mais ainda...»

"Penso eu de que...", diria o SirHaiva, não é bem verdade. Mal ou bem, escassa ou aprofundadamente, há quem fale destes mundos e destas matérias. Como nós, também. Por exemplo, dos fogos. Que (tu, Zé, entras aqui) já falámos aqui, mas o "post" (do Zé), em início de carreira bloguística desta Cibertúlia, apagou-se. Conta-nos o que pensas então sobre o que se escreve noutros campos de batalha.

Durão sem classe

Perante os apupos de trabalhadores têxteis na Covilhã, o nosso excelso primeiro-ministro respondeu: «Não é tempo para lutas de classes dentro das empresas». O próximo conselho de ministros será tempo de perdão e reconciliação.

Mexia-se sem sentido

Os blogues podem espoletar debates interessantes. Sobre a TSF, o jornalista da casa Carlos Vaz Marques criticou o poeta e crítico literário Pedro Mexia, por este ter dito que «sendo mesmo incrivelmente esquerdista [a TSF] é a nossa melhor rádio». CVM pede-lhe exemplos. PM dá-lhe vários de memória. Há um que me (nos) toca particularmente, por ser simplesmente idiota.
«- O programa religioso da TSF, Como se Visse o Invisível, tem três participantes católicos: D. Januário Torgal Ferreira, Anselmo Borges e Maria de Lourdes Pintasilgo; esses três nomes são tão representativos dos católicos em Portugal como seria representativo do eleitorado português um Parlamento onde tivessem apenas assento o PCP, o PEV e o BE.»
Mexia está no direito de não gostar do que dizem e pensam os «três participantes católicos», mas acho notável o "seu" profundo conhecimento sobre o "povo" católico que não se reverá naqueles três intervenientes - como se as leituras do Evangelho fossem passíveis de serem lidas como "direita" e "esquerda".
Mais que a "leitura evangélica" do quotidiano, o que incomodará o jovem poeta e crítico (também eclesial?) devem ser as posições políticas dos três intervenientes católicos noutros espaços, longe das adorações e venerações particulares de Pedro Mexia. Mas isso é outro problema, que não o de «Como se visse o invisível».
Para PM, o programa da TSF só seria incrivelmente neutro - ou, já agora, de direita, que só aí temos coisas boas e saudáveis! - com o padre João Seabra e o bispo de Viseu. Ou então uma versão radiofónica da Canção Nova.

27.7.03

A multiplicação da vida

Sexta-feira, fim de tarde no Alentejo (junto à barragem de Odivelas). Uma celebração da vida - lembrando a Rita Wemans: «Enchamos tudo de futuros», continua ela a desafiar-nos todos os dias.

25.7.03

Mais uma conversa de comadres

Boas férias ao Diogo - e, por extensão, à Inês e ao rebento que aí vem! [peço desculpa, Zé, por mais esta nêspera.]

Hoje, descobri uma referência elogiosa à nossa Cibertúlia por outros mares já por mim navegados (manias minhas de marujo!). Aí se diz que a «Cibertúlia recria um hábito antigo: o da tertúlia.» Como se vê, estas comadres despertam interesse por essa blogosfera, por aquilo mais ou menos sério que escrevemos. E, sinceramente, defendo-me: falar da demissão da administração do INE é questionar o exercício da coisa pública.

Ivan Nunes, referindo-se ao nosso mini-debate sobre a sua praia, confessa o seu erro no voto contra a constituição do Bloco. Ele, Ivan, que até se queixou publicamente de um amigo lhe ter dito que ele, Ivan, «de esquerda já não [é] muito».

Não sei se a proposta do Primo Galarza - ver postada anterior «ao Zé Manel, e a todos» - é de esquerda. Mas sei que algo é preciso fazer. Antes que se ponham todos à escuta, claro.

Penso eu de que...

Uma opinião (entre muitas outras...) (A tradução que fiz é livre. Não propriamente muito exacta)
"Apesar de qualquer um poder iniciar um blog, existe claramente um anel de alguns há muito estabelecidos, que, para se manterem actuais, exige a manutenção frequente. Manutenção frequente é uma marca distintiva de um blog; outra é os "links" duplos, de forma que uma entrada simples como "Jen falou-me disto" terá um link para "Jen" ( que tem um blog chamado "Vinho e Vinagre") e "disto", que afinal não passa de um canivete suiço especial para "geeks". Não sei para que é que o mundo precisa de um canivete destes: pode-se perfeitamente montar um computador apenas com um canivete suiço normal. Mas, se se gosta de blogs, vamos querer esta ferramenta, cheia de chaves-de-fendas especiais. Para além disso é delicioso descobrir que Victorinox, a companhia que faz Canivetes Suiços do Exército, tem de facto um site, com imagens dos seus inumeros modelos.
[...]
Os Blogs nunca serão uma grande negócio nem tão pouco o futuro da internet. Mas apanho-me cada vez mais a visitá-los porque lá ainda se encontra a atitude educada, de espirito anarquista - muito como imagino as universidades medievais tenham sido, cheias de estudantes errantes - que inicialmente caracterizava a atmosfera natural da World Wide Web."
O artigo inteiro aqui.

O que tirei daqui? Um Blog é uma página da web, actualizada frequentemente, com conteudo (comentários, opiniões, relatos, links) pessoais/personalizados. O que me atrai nos blogs é isso: actualizações frequentes e conteudo personalizado. Quase que infantil muitas vezes, na forma como é escrito/apresentado. Sem grande necessidade de textos elaborados e preparados.
Achei interessante a caracterização de uma entrada de blog "fulano falou-me disto". Não lhes lembra algumas entradas aqui feitas? É uma coisa irresistivel nesta ferramenta...
De referir que este artigo é de 11 de Outubro de 1999.

Outra coisa. Parece-me que invariavelmente, a certo ponto na evolução do Blog, à tendência do(s) blogista(s) de olhar para o umbigo do blog e tentar perceber, "Para onde caminhar com isto?". Se num blog pessoal, se calhar, a opção é fácil de tomar, já num com vários intervenientes é mais dificil. Como é obvio neste cenário o estilo de post's é variado, o que poderá ser enriquecedor para alguns, soa a confusão para outros.

Parece-me estar para aqui a ensinar a missa ao pároco, ou pior a dizer que o Cavalo branco de napoleão é... branco, mas estou só a organizar o meu pensamento sobre a "posta" do Zé. (Um parentisis: O termo "posta" foi muito bem lembrado aqui pelo Nuno. Parece que estou a ver, num albergue de blog's exclusivamente português, a substituição do "Post & Publish" por "Publique-se a Posta". Não confundir com "Publique-se a Bosta").

Faltou aqui muita outra coisa que me passou pela cabeça mas como não tenho o dom da palavra... passou-se-me. Quero eu com este palavreado todo dizer:
1. Não desanimes Zé! Manda os teus mails de postas que eu gosto, e prometo reagir com pertinência... e sem piadas.
2. Boas férias Diogo. Eu só para Agosto... ainda faltam 2 semanas, 4 dias, 10 horas, 23 minutos, 6 segundos...
3. Grande Miguel. Grande ideia esta do Blog. Já repararam que o Miguel e a nossa comunidade foi referida no Abrupto? Daqui até nos tornarmos um dos Blog-referência na construção europeia de uma sociedade melhor vai só um passo... cada vez mais pequenino... ou não.
4. Nuno, e que tal uma jantarada qualquer dia, com a comunidade da Cibertulia, para atacarmos essas famosas Postas Mirandesas?
5. Resto do pessoal, vamos lá a participar. Será que é desta que cativamos participação feminina?

Velhos hábitos não se perdem por isso não resisto a...

Quatro mulheres católicas estavam a tomar café.
- O Meu filho é Padre. Sempre que entra numa sala as pessoas referem-se a ele por "Sr. Padre..." - disse a primeira.
- O Meu filho é Bispo. As pessoas costumam tratá-lo por "Excelência..." - disse a segunda.
- O Meu filho é Cardeal. Todos se referem a ele por "Eminência..." - disse a terceira.
A quarta manteve-se em silêncio.
- Então e o seu ? - Questionou uma das primeiras.
- O Meu filho é alto, musculado, um espanto. E para além disso é Striper. Sempre que entra numa sala as pessoas exclamam "Meu Deus...!"

Eia que isto hoje ficou enorme!!!

Ao Zé Manel, e a todos

Obrigado pelas boas vindas.

Ora aqui vai uma propostazinha mais assim pró sério, política, para que a gente se desentenda.

Se o voto, aquele direito e dever cívico, o papelinho dobrado em quatro que vai para a urna, nos pertence a nós - cidadãos - então porque o entregamos quatro ou cinco anos nas mãos dos órgãos de Estado?

Proponho que se legisle no seguinte sentido:

Quando um cidadão quiser pode, junto da Comissão Nacional de Eleições - ou de organismo encarregue de tal - RETIRAR o seu voto. Isto é, pedir o voto de volta. É natural que, como o voto é secreto, nenhum partido sofre.

O que proponho é que quando DOIS TERÇOS dos eleitores votantes tiverem reclamado o seu voto de volta, seja obrigatório na CRP que o Presidente da República dissolva a Assembleia e se obriguem novas eleições.

Numa primeira fase basta que isto funcione para a AR. Depois, ir-se-ia alargando a outros órgãos de Estado.

Oiço vozes: «Que desgraça, os governos caiam todos ao fim de duas semanas, proposta de loucos, este gajo é maluco».

Mas a verdade é que a auto-responsabilização dos políticos teria de ser muito maior. E, convenço-me, o respeito pelos, dos e para com os políticos (e vice-versa para os cidadãos) seria muito maior. Julgo eu de que.

Subsídio de Férias

Olá a todos!
Perante o lancinante apelo do Zé, não podia deixar passar o dia de hoje sem lançar uma posta... ainda por cima, porque hoje é o meu último dia de trabalho antes das duas semanas de férias da praxe.
Por isso mesmo, esta última semana foi de doidos - ser "chefe" também tem os seus inconvenientes! - e não tive tempo de escrever fosse o que fosse para este bolgue. Peço, por isso, desculpa aos meus camaradas de bloguice e aos meus leitores mais fiéis. No entanto, não passou sequer um dia sem que viesse cá ler as postas dos outros.
Ainda que entenda os anseios do Zé (fica prometido que, quando voltar de férias, regressarei ao tema da Globalização!), esse é também um dos serviços públicos prestado por este bolgue: reler os amigos, ver o mundo pelos seus olhos, ser alertado para situações que me haviam passado ao lado, conhecer coisas novas.
Se pudermos ir além disso, como pretende o Zé, contem comigo! Se não pudermos, paciência... contem comigo na mesma.
Entretanto, vão blogando! Eu vou hibernar durante quinze dias, mas prometo voltar cheio de postas e com vontade de ler as que forem sendo colocadas nas brasas!
Boas férias!

Digestão das nêsperas

1. Como o Zé, gosto de nêsperas. E de croquetes, e de postas...

2. Mas acho que há mais do que simples pescadinhas de rabo na boca, nestes dias blogueiros. Há postas que vão para além da espuma dos blogues - basta experimentar e ler alguns dos textos que por aqui se escrevem ou citam. E os dias que se passeiam nesta Cibertúlia são pouco íntimos. Mesmo apontamentos breves de quem observa a Cidade (ver-julgar-agir).

3. Falar de outros blogues é um ponto de partida para discutir este mundo e o outro. Experimenta-se, por exemplo, o Abrupto - e é isso que lá está.

4. «Miacoutar» é, porventura, a mais importante contribuição dos últimos dez anos para o debate da globalização. Nasceu aqui: está na hora de o tornar acção.


PS - O Primo Galarza, como a Tatiana, é um camarada do jornal.

24.7.03

Nêsperas

Não sei se é do calor que falta.
Mas esta coisa do blog, já me começa a fartar.
Parece uma pescadinha de rabo na boca em que toda a gente fala do vizinho do lado sem dizer muito do que quer que seja.
Parece uma conversa de comadres.
Afinal para que serve a coisa???
Se vamos construir um espaço de reflexão e debate muito bem estou "in".
Mas se isto vai no sentido de ser um diário intimo onde se escrevem umas larachas estou o mais "out" possível.
Efectivamente não há pachorra para andar a saltitar de questão em questão.
Continua a ser aquela velha questão do Ver/Julgar/Agir que os velhos emecês ainda se lembram.
Quando passamos ao Julgar ??? Se é que devemos passar.
Afinal o que se deve ou pode escrever aqui ???
Por questão do espaço que é e das pessoas que o formam não consigo de deixar de encarar a Cibertúlia como um espaço de "Educação para a Mudança".
Se calhar devia ir para os metanojas e não tentar fazer deste espaço uma coisa que não é a sua vocação.
Quando o Diogo começou a escrever sobre Globalização tive esperança.
Neste momento com pouca fé, espero a vossa caridade.

"Estava uma nêspera em cima de uma cama sem fazer nada ..."

Notas:

Bem vindo Primo Galarza não sei quem és mas estou contigo.
Tatiana, Por quem não esqueci.
Miguel desculpa o pessimismo.
Nuno as postas continuam nas brasas ou ficaram esquecidas.
Cadê as gajas !!! (tema recorrente da Cibertúlia)

É fazer as contas

Quando um INE incomoda muita gente, muda-se! O Instituto Nacional de Estatística andava a arrefecer os ânimos optimistas do Governo. Hoje, por resolução do conselho de ministros, deixou de ser mais incómodo nas estatísticas. É fazer as contas.

O Benfica é campeão

Acreditem-me: ao fim de nove anos, o Benfica volta a ganhar o título!

Assim de repente...

... lembrei-me de uma coisa importantissima:
A vida é como uma corda, de tristeza e alegria, que saltamos a correr, pé em baixo, pé em cima, até morrer.
Não convém nem esticá-la nem que fique muito solta.
Bamba é a conta certa, como dança de ida e volta que mantém a via aberta.
Se saltares muito alto não tenhas medo de cair, de ficar infeliz.
Feliz a cem por cento só mesmo um pateta feliz.

Se calhar é por estar a passar na rádio... Ou pensavam que tinha sido eu a inventar? Não pá! É uma canção dos Clã. Vocês são mesmo ingénuos... Havia de ser o bom e o bonito agora dar-me para a poesia...

Mas se por qualquer motivo te sentes infeliz...
28 Razões porque é maravilhoso ser homem.
1. As conversas duram 30 segundos.
2. Sabes coisas sobre carros e tanques.
3. Nos filmes, os nus são quase sempre femininos.
4. As férias de 5 dias requerem apenas 1 mala.
5. As filas para a casa-de-banho são 80% mais curtas.
6. Os teus velhos amigos não se importam se emagreceste ou engordaste.
7. O teu cu não é um factor decisivo em entrevistas de trabalho.
8. Todos os teus orgamos são verdadeiros.
9. Dão-te mais valor pelo mais pequeno acto de inteligência.
10. Podes tomar banho e vestir-te em 10 minutos.
11. Se alguém se esquecer de te convidar para alguma coisa, ainda pode ser teu/tua amigo(a).
12. A tua roupa interior custa 5€ um pack de três.
13. Nenhum dos teus colegas de trabalho tem a capacidade de te fazer chorar.
14. Se tens 34 anos e és solteiro ninguém se importa.
15. Podes ser presidente.
16. As flores resolvem tudo.
17. Podes vestir uma camisa branca para ir a um sitio com muita água que salpique.
18. Podes despir a camisola quando faz calor.
19. Os mecânicos não te mentem.
20. Não te importas se ninguém repara no teu novo corte de cabelo.
21. Podes ver televisão com um amigo, em silêncio, durante horas, sem pensar: deve estar chateado comigo.
22. Há sempre um jogo na televisão.
23. As pessoas não deitam olhadelas ao teu peito quando estás a falar.
24. Podes ir visitar um amigo sem teres de lhe levar um presente.
25. Podes comprar preservativos sem que o empregado da loja te imagine todo nu.
26. Se alguém aparece numa festa com a mesma roupa que tu, podem ser amigos.
27. Só porque não gostas de uma pessoa não significa que não gostes de ter bom sexo com ela.
28. Com 400 milhões de espermatozóides de cada vez, podes duplicar a população da terra. Pelo menos teoricamente.

Digo eu...

Um blogue inteligente.

É mais um blogue. Bom, útil. Verdadeiro serviço público, pelo menos para mim. É o Médico Explica Medicina a Intelectuais, que se propõe a ajudar os jornalistas e os outros interessados: «São tantos os dislates que se ouvem e lêem, por vezes inconscientes, que decidi esclarecer quem me procurar, para que os jornalistas (e outros intelectuais!) sejam o veículo para os 'media' não fomentarem a iliteracia científica.»

Eu - que tenho uma médica lá em casa, que às vezes se passa com a iliteracia científica dos jornais e jornalistas -, terei aqui um porto de abrigo para conselhos ou explicações. Mas (há sempre um mas) também ajudava, por vezes, que os médicos se soubessem explicar aos "intelectuais", para estes escreverem correctamente e de forma inteligível! [Quem fala dos médicos, pode acrescentar outros sectores da sociedade que se queixam da comunicação social - com razão, em muitos casos!]

Postas

1. Vote-se ou não no Bloco, goste-se ou não das suas teses fracturantes, percebo Ivan Nunes a votar contra: aquilo não é um edifício muito saudável na sua "composição", é mais um albergue espanhol que - hélas! - resultou no regresso da UDP ao Parlamento.

2.Mais uma nota deliciosa sobre a irritação do presidente da câmara de Faro, por causa dos excessos policiais sobre os seus "motards" [ver "post" de ontem]: foi esse mesmo senhor que, no ano passado, perante os «excessos» dos "motards" exigiu maior rigor da PSP!

3.Há um blogue muito interessante na análise que faz à comunicação social portuguesa: Guerra e Pás, do jornalista Pedro Boucherie Mendes (e que se apresenta como o «Alverca do Abrupto»: «Sempre que o Abrupto me cita, as visitas aqui ao blog disparam, o que me faz sentir um pouco o Alverca do Abrupto, uma espécie de blog satélite»).

Acho que há ali muitos fios interessantes para desenrolar este novelo da comunicação social (para quando a análise aos jornais on-line?). Fazem falta espaços assim na própria imprensa (tirando a excepção tímida dos provedores do leitor e uma outra crónica mais académica).

Pelo meio, surpreendendo-nos, há pequenos momentos do quotidiano de P., como se assina ali. Arrepia ler o "post # 108" - «EU NÃO QUERIA IR PARA O CÉU» (procurem! já!). E há outro "post" que subscrevo na íntegra, por que me encontrei nessa situação ao ler este mesmo sítio:
«Um e-mail do velho amigo Groucho Marx acaba assim
andar a ler o teu blog levanta-me um problema - e se tu és um gajo até conhecido de quem eu não gosto nada? como é que eu ia ficar com a minha consciencia??
um abraço,
sossegando-o, dizendo-lhe que não sou famoso nem conhecido, pelo que é (quase) impossível que goste ou não de mim, acrescento que é este o ponto chave dos blogs.
A saber a possibilidade de gostarmos até dos que julgamos não gostar. Tolerância, portanto.
»

Harry Potter

Não sendo de intrigas, já repararam nas semelhanças de Souto Moura com o pequeno feiticeiro?

23.7.03

Quem foi Ivan Nunes?

Foi o único que votou contra a edificação do Bloco de Esquerda, numa famosa reunião na Barraca.

Vou à praia

Agora, todos os dias vou à praia. É agradável para quem está a trabalhar, estimula-nos o pensamento e faz-nos voltar num tom deliciosamente narcísico a outras lutas. Falo do blogue de Ivan Nunes (o da Política XXI, lembram-se?).
Ivan viaja pelas suas memórias e conta-nos histórias como a do «Intendente», um jornal do seu tempo no Pedro Nunes. Alguns dos cibertúlicos poderão ter ouvido estas histórias ao Miguel Fontes. Eu também me lembro do «Intendente» por causa do Miguel. Tenho de procurar nos meus papéis lá em casa a edição em que foi entrevistado o Miguel Sousa Tavares... «Quero ir à guerra», era o título.
Agora, depois de o ter descoberto - ao Ivan, claro - volto todos os dias a esta praia. Dêem um mergulho!

Estes senhores que nos governam

Do Público de hoje, retiro este lamento do Presidente da Câmara Municipal de Faro, José Vitorino:

«O presidente da Câmara de Faro, José Vitorino, mostrou-se ontem "revoltado" com a actuação das forças policiais durante os três dias da concentração internacional de "motards", que considera ter prejudicado a imagem da cidade. "Estou triste e revoltado com a conduta excessiva das forças policiais, que causou muitos incómodos aos 'motards' e beliscou a imagem nacional e internacional de Faro e da região", disse o autarca, em conferência de imprensa.

Em causa está o alegado excesso de zelo da PSP e da Brigada de Trânsito da GNR, que, entre sexta-feira e domingo, multaram centenas de motociclistas e efectuaram inúmeras operações stop à entrada da cidade e na estrada de acesso ao local da concentração, prejudicando o trânsito."Fomos apanhados desprevenidos, quase apunhalados pelas costas pelo aparato das intervenções. O que se passou não podia ter acontecido e não se pode repetir", afirmou José Vitorino. O autarca social-democrata diz que é urgente "apurar responsabilidades e saber quem deu ordens diferentes do habitual". E garantiu que "custe o que custar, isto não vai acontecer na próxima concentração, em 2004".»

O senhor que manda em Faro é do mesmo partido da maioria governamental que nos governa. Hoje foi lançado um plano de segurança rodoviária, patrocinado por esse Governo. A cidade de Faro ficará excluída, que é para os estranjas experimentarem as maravilhas de um verdadeiro país do terceiro mundo!

Óleos beatos

Um folheto que recebi à porta da estação de comboios...

«Mudança de Óleo mais barata é na Precision». Atente-se nos locais das oficinas: «junto à Fonte Luminosa», «junto à Maternidade», «junto ao Cemitério», «na zona industrial» e «junto à Estação Velha». Há outra precision a fazer: o óleo a mudar é «mineral»! Bebe-se?

Beatices, uma resposta

Diz Marujo:

«A avaliar pela quantidade de beatas nas ruas, os fumadores desconhecem os pequenos apliques de metal que servem para apagar os cigarros nos caixotes de lixo».

Concordo.

As beatas devem estar no seu local apropriado.
Assim, a partir de agora, deveremos passar a chamar «Capela» aos cinzeiros.

Diálogo ouvido no autocarro

- Esta juventude de hoje não pensa! Põem em perigo a vida deles e a dos outros! - diz uma mulher.
- ... de quem trabalha! - responde-lhe um homem.

22.7.03

Beatices no caixote

A avaliar pela quantidade de beatas nas ruas, os fumadores desconhecem os pequenos apliques de metal que servem para apagar os cigarros nos caixotes de lixo.
Aliás, a avaliar pelo lixo nas ruas, os portugueses desconhecem os caixotes de lixo.

Pausa para... blogar.

Este curto post serve para deixar aqui registo do site onde me forneço da maior quantidade de cartoons políticos. Ainda para mais agora com Blog e tudo. E para além disso...

... alguns flashs da crise que teima em não partir... desta vez a (in)segurança.
[Flash1][Flash2][Flash3][Flash4]

Atentem neste relato, baseado num caso verídico. Os nomes foram ficcionados para proteger os intervenientes...
No bar, um colega e uma colega, entre dois finos...
Homem - É claro que os homens têm muito mais prazer na relação sexual do que as mulheres. Basta pensar que nos apetece SEMPRE fazê-lo... quase que de forma obsessiva... nunca temos dor de cabeça...
Mulher - Isso não prova nada. Pensa bem... quando tens comichão na orelha e colocas o dedo mindinho dentro dela para a coçares, depois de o tirares qual é o que se sente melhor, o dedo ou a orelha?

Mulher - Sabes, consegue-se distinguir o tipo de amante pela forma como os homens abrem a porta de casa a caminho de uma noite escaldante.
Homem - Como assim?
Mulher - É assim. Se o fulano enfia a chave na fechadura de forma enérgica e abre, rapidamente, a porta, é porque é um amante bruto e provavelmente ejaculador precoce... Se, por outro lado, demora tempo a encontrar a chave certa e depois só acerta na fechadura à terceira tentativa... é porque é, no mínimo, inexperiente... Já agora, como é que tu costumas abrir a porta?...
Homem - Bom, eu antes de mais nada dou uma lambidela na fechadura...

Já casei

1. É um facto: já casei.
2. Mas com propostas assim, apetece-me voltar a casar. Retiro este "post" de um dos blogues-mais-elogiados-e-citados-da-blogosfera-nacional, precisamente o Desejo casar:
«Breve nota sobre a actualidade internacional. NOTA: Passou a fazer todo o sentido a palavra embushte
3. Casei, de novo!
4. Dos muitos outros blogues, darei depois notícia.

Comboio com vista

Há uns anos, Miguel Sousa Tavares contou - no Público - uma viagem de comboio entre o Porto e Lisboa. Já não o fazia há muito, e assustou-se! Viu cidades feias, vilas sem graça e aldeias de mamarrachos (o resumo é de memória). Andasse MST nos suburbanos da linha de Sintra e veria o mesmo. Ou pior: as traseiras de um urbanismo feio, sujo e mau. Deve ser por isso que os portugueses preferem o carro aos transportes públicos. Mal por mal, só vêem as traseiras do automóvel da frente, sem cuecas ao sol e entulho de monos que já não se usam.

21.7.03

O Público mudou-se para o Pentágono

Depois da morte do cientista britânico David Kelly, a Agência Lusa ouviu alguns jornalistas portugueses sobre o facto da BBC ter revelado o referido cientista como principal fonte de uma peça em que eram desmentidos os argumentos dos governos americano e britânico sobre as supostas armas de destruição maciça iraquianas.

«Mais crítico é o director do jornal Público, José Manuel Fernandes, para quem a revelação da fonte nestas circunstâncias "era a única coisa que restava à BBC, depois de não se ter portado nada bem em todo este processo".

"Em primeiro lugar, a BBC divulgou uma notícia muito grave, em que não cumpriu uma regra essencial, que é ouvir mais do que uma fonte. Depois, houve uma discrepância entre o que é atribuído a David Kelly e o que o cientista afirmou no parlamento ter dito ao jornalista da BBC. Em terceiro lugar, a BBC mentiu quando contrariou o governo, desmentindo que David Kelly fosse a sua fonte", afirmou José Manuel Fernandes.

Por outro lado, o director do Público duvida que o cientista "fosse uma fonte tão fidedigna, uma vez que não tinha acesso a documentos secretos", o que faz pensar que "deveria ter havido maior serenidade na divulgação da notícia".

"Houve um braço de ferro escusado, porque a BBC nunca admitiu que poderia haver um engano, o que pode acontecer todos os dias a qualquer jornalista", sublinhou à Lusa.»

Subscreva um fogo

Lê-se na agência de notícias de Portugal, Lusa, hoje sob escrutínio de Luís Delgado:

«Novas frentes de fogo surgem em incêndio por subscrever» [sublinhado nosso]

- ou seja, não perca mais este fogo numa banca perto de si!

20.7.03

Beato Herman José

Ele há cada coisa. Enquanto Pacheco Pereira condenou Herman pelo abuso de um «ser humano com problemas mentais» na SIC [ver "post" de 15/7/2003] - não vi, mas imagino o que pode ter sido tratando-se do famoso "Emplastro" -, descubro na internet uma página absolutamente extraordinária: sobre o BEATO HERMAN JOSÉ, um religioso nascido em 1150 e falecido em 1241.

Leia-se, no original em espanhol:
«Nacido en Colonia, es llamado Hermán José por su ferviente devoción al Santo Patriarca.
Muy joven todavía, se hace religioso premostratense en Steinfeld. Antes de ser sacerdote y durante los estudios, su ocupación predilecta es la de sacristán; para permanecer ante Cristo Eucaristía, lo más posible, día y noche.
De él se dijo: «Piensa tanto en Dios que el mundo le es indiferente; pero su corazón es como un Hospital General, abierto a todos». Sus dones de oración, hasta su muerte en 1241 con 91 años de edad.»

Depois disto atrever-se-á a Igreja portuguesa a perorar contra a famosa Última Ceia? Ou Herman converter-se-á num homem de coração «aberto a todos»? Pode começar por pedir perdão ao Fernando, o Emplastro.

Cenas de uma manhã de domingo no Jardim da Estrela

1. O pai tenta prender o cão na trela. A seu lado, o filho cai no triciclo.

2. A mãe não larga o telemóvel, visivelmente satisfeita com a conversa. O filho trepa perigosamente um "brinquedo" feito para miúdos mais graúdos ou para miúdos-miúdos com mães de mãos livres.

18.7.03

Faunas e gastronomias

Não gosto do sapo. E não é por ser da concorrência.
Gosto de croquetes. E de postas. À mirandesa. Ou à mesa.
Mas o que vos deixo é outra proposta. Em fim-de-semana passem pelo Padrão dos Descobrimentos, e descubram uma exposição, «Chala-Gaya» de seu nome. Fotografias muito bonitas. De um amigo, Ricardo França. Para dar a conhecer a outros amigos.

Sapos, Pinguins e outra fauna

Diogo espero que comentes todas as minhas postas !!!
Eu encaro este espaço como um espaço de debate e discussão, e não apenas um sítio para pôr postas.
Se assim fosse, bem que podia pintar paredes, pôr mensagens no placar do Pingo Doce ou outros meios de comunicação alternativos.
Assim, espero reacções de forma a me/nos esclarecer e a mudar de opinião!!! (Quando for o caso).

Sinceramente espero que o PS tenha bom senso e encontre um bom candidato presidencial.

Já repararam que o D. Sebastião socialista é a cara chapada do Dani de Vito no Batman II em que faz de Pinguim!!! Creio que dentro do PS existem melhores alternativas para o pós Ferro Rodrigues.

Tatiana quer queiras quer não queiras já fazes parte deste espaço. Bem vinda !!!

Luis Pinto fala-nos do CIDAC e da Universidade de Verão !!!

Nuno estou contigo nessa da Posta à Mirandesa mínima garantida, desenvolve que eu prometo comentar e contribuir para o debate!!!

Conversa de café... e era mais um fino.

Ciências
Fabricante japonês inventa aparelho que traduz miados para linguagem humana. Nada de anormal. Já os portugueses há muito que percebem os que os gatos dizem...

Desporto
Ou se calhar o aparelho serve de apoio ao novo atacante da Briosa: "El Gato".
A propósito: sabiam que o poeta Artur Jorge cortou a bigodassa? Se calhar anda a ler o BLOG da Amélia.

Educação.
Um caso que me foi relatado por mail...
Num liceu no Porto estava a acontecer uma coisa muito fora do comum.
Um bando de miúdas de 12 anos andava a pôr batom nos lábios, todos os dias e para remover o excesso de batom beijavam o espelho da casa de banho.
O director andava bastante preocupado, porque o contínuo tinha um trabalho enorme para limpar o espelho ao fim do dia e no dia seguinte lá estavam outra vez as marcas de batom no espelho.
Um dia juntou o bando de miúdas e o contínuo na casa de banho e explicou que era muito complicado limpar o espelho com todas aquelas marcas que elas faziam e para demonstrar como, pediu ao contínuo para mostrar como é que ele tinha de limpar o espelho.
O contínuo pegou numa esfregona, molhou-a na sanita e passou-a no espelho.
Nunca mais apareceram marcas no espelho.
Há professores e há educadores...


Blog's
Ok, normalmente procura-se ler os melhores mas e quanto aos piores BLOG's da net?

Cartoons
Indignação, Confiança... e Iraque.

Epílogo
E prontos, por hoje, que é Sexta-feira, é só... e vou beber um fino... ou então vou pedir um gelado.

Postas

Anteontem comi uma posta à Mirandesa num tasco aqui da esquina.
Magnífica posta!
Magnífico sistema económico este que sugeriu ao agricultor mirandês que cuidasse de mais um animal para alimentar quatro economistas esfomeados de Lisboa. Foi este sistema de afectação global de recursos - incluindo a produção, o transporte, a distribuição e a comercialização - que nos proporcionou este momento único. De que maneira alternativa poderíamos atingir um resultado tão eficiente?
No entanto, neste sistema - capitalista, é assim que se chama - ainda muitos não têm acesso à posta, ainda que a desejem.
Vamos falar desses, em vez de engolir sapos?

Cuba?

Retiro do PortugalDiário uma notícia chocante: «EUA é o país que mais executa menores numa lista de 70 países». Fosse em Cuba e tínhamos a Direita a enxovalhar os "amigos de Fidel".
Eu não gosto do Fidel que mata "balseros", prende jornalistas e escritores, mas também não gosto de democracias assim!

17.7.03

Guterradas

Tinha prometido a mim mesmo que não voltaria a utilizar este espaço para responder a afirmações feitas por outros bloguistas cibertúlicos, mas há momentos em que é preciso não cumprir as promessas.

Diz o Zé Salvado que viu ontem o Guterres e que este lhe provoca nojo. E que, não sei se por isso mesmo, prefere engolir um sapo do tamanho do mundo e votar Cavaco nas presidenciais. A talhe de foice (sem martelo!), o Zé também insinuou que as pessoas que não trabalham têm reuniões. O que, acrescento eu em tom de defesa, não é o mesmo que dizer que quem tem reuniões não trabalha. Ou será que é?...

O Miguel, enquanto ia falando da Ucrânia e da sua empregada, disse ao Zé, por outras palavras, que preferia comer mil sapos a votar no Cavaco. O que, confesso, é uma imagem que me provoca a mesma sensação que o Guterres provocou ao Zé.

Depois, o Zé respondeu. Disse que quem foge e faz birra não é líder e que a cobardia não tem perdão. E que a tal discussão gastronómica que envolvia sapos (um ou mil) é uma questão de coluna vertebral. Confesso que fiquei baralhado, porque não sabia que a coluna vertebral fazia parte do sistema digestivo... mas um homem está sempre a aprender!

Eu sei que o Zé Salvado não é aquele Zé que o Durão Barroso uma vez encontrou na rua e lhe contou uma série de tangas... Mas bem podia ser! Se virmos bem, isto do Guterres provocar nojo no Zé já não é de agora!
Eu cá ando desconfiado que foi com medo do Zé que o Guterres bateu em retirada, não seguindo o bom exemplo desse grande líder que foi D. Sebastião. A esse sim, estou certo, não hesitaria o Zé em entregar o mais alto cargo da Nação que, de resto, já lhe pertenceu! Lembrem-se: um líder não faz birra e não foge! Se não acreditarem, perguntem ao Fidel!

De gastronomia não falo mais, que a hora do jantar aproxima-se a passos largos. Mas sempre vou dizendo que a Tatiana é que tem razão: mais vale um croquete frio antes de ir para a cama, do que um sapo antes de ir votar!


P.S. - Já agora, deixem-me dizer mais uma coisa: se é verdade o que o Zé diz, que "o tonto do portuga é o único que pensa altruisticamente", então fico contente! Pelo menos numa coisa, o "tonto do portuga" é que tem razão! E fica já o aviso: quando ele se candidatar a alguma coisa em que eu possa votar (a NATO não conta!), tem o meu voto! Sem sapos...

Croquetes na blogoteca

Não tenho o estômago irritado e baralhado com croquetes, como a Tatiana às voltas na almofada. Mas quem me dera ter já o ADSL em casa. Escusava de me perder analogicamente em downloads demorados do mundo dos blogues. E se o Abrupto irrompe rapidamente pelo ecrã (Pacheco Pereira já se confessou estudante de HTML), outros como o blogue de José Mário Silva (com quem troquei umas mensagens simpáticas sobre o DNA, as suas bloguices e a blogosfera, a que prometo voltar depois com calma) atrapalha-se mais na abertura da página - e que já motivou algures na blogosfera um comentário pernicioso sobre a esquerda!
Mas, dizia eu, sem ADSL (passe a publicidade, neste link), não consigo perder-me mais do que queria. E aproveito este fim de tarde, para lá da hora de saída do jornal, para navegar mais um pouco. E leio, surpreendido, blogues fantásticos.
Há quem defenda que se devia olhar mais para este mundo (que muito pouca gente conhece, constatava Ana Sá Lopes, no Público de domingo). E Pacheco Pereira - já é mania! agora volto sempre a JPP, como se assina neste reino - defende hoje no Público - também é mania, mas esta vocês já a conhecem! - que «a blogosfera devia ter um "depósito obrigatório" imediato. Os blogues, enquanto formas individualizadas de expressão, originais e únicas, são uma voz imprescindível para se compreender o país em 2003». Exija-se já uma blogoteca!

Croquetes para pensar

Já a convidei para a Cibertúlia, mas tem-se feito rogada. É minha camarada no jornal (fica sempre bem recuperar este arcaísmo no tratamento entre jornalistas), mas também tem prosas soltas por aí - na magnífica «Egoísta» e na «Voz da Póvoa». Deste jornal local, com a devida vénia e o seu assentimento, reproduzo a última crónica. A ver se é desta que a Tatiana Alegria chega à Cibertúlia.

Do Conhecimento. Tatiana Alegria.

Ninguém percebe nada do que se passa à sua volta. Se tivéssemos testes sobre o decorrer do nosso dia antes de irmos para a cama, chumbávamos todas as noites. Exemplo: li um livro. Gostei do romance. Até comentei o facto com alguns amigos.

– Adorei o “Equador”.
– Ai sim? Não é muito grande?
– Não, lê-se bem.

Dediquei seis palavras à análise dum livro que deve ter demorado mais de um ano a ser escrito. Se a minha almofada me tivesse obrigado a rabiscar uma composição de 400 palavras sobre as alterações que a história sofreria desenrolando-se em Nova Orleães em vez de S. Tomé, aí sim, teria dado voltas à cabeça.

Seria necessário repensar aquelas páginas de prosa, consultar um mapa para ver que mar molha os pés daquela cidade norte-americana. Talvez depois de ter ido ao frigorífico buscar uns croquetes frios para apaziguar o estômago, até me viesse uma inspiração. Talvez até ficasse acordada mais duas horas do que o habitual, escangalhando toda a minha rotina do dia seguinte em nome deste exercício que não me paga a renda. Mas muito provavelmente não teria grande nota.

Porquê?, pergunta-me o estômago, irritado e baralhado com os croquetes.

Porque passar no exame da almofada, significaria que tinha compreendido mais de 50 por cento do romance do Sousa Tavares. Por mais que isso pareça pouco, metade é muitíssimo. Pensem num bolo de noiva. Agora imaginem comer metade. Mas nós não fazemos estes testes à noite. Não somos capazes. Daríamos em doidos. Porque não seria uma composição, mas várias. Sobretudo o que tínhamos visto, lido e ouvido. No entanto, mesmo apanhando sempre com negativas, valeria a pena.

Porque comeríamos uma fatia de conhecimento.

A jornada resume-se numa frase. O nosso interlocutor raramente exige desenvolvimento porque também está cansado do que não aprendeu. Quando o pede, nós lá rematamos:

– Pá, nem queiras saber.

E como o pá não está interessado, lá sugere uma ida à esplanada para saborear uma cerveja e uns caracóis.

Fidelidades perdidas

Estão actualmente detidos nas prisões de Cuba 88 prisioneiros de opinião, o que faz o regime de Fidel Castro bater um recorde mundial, diz um relatório publicado segunda-feira pelo grupo dissidente Comissão Cubana dos Direitos do Homem e da Reconciliação Nacional (CCDHRN, ilegal), elaborado a partir dos relatórios da Amnistia Internacional.
Tem razão o Diogo: há fidelidades que não podem ser mantidas. Nem apoiadas.

Pacheco Pereira analisa, numa perspectiva interessante, uma série de que vi um ou dois episódios - Cambridge Spies (às terças, 23h, na RTP2). Mas o que me traz (orfão de «Sopranos» e «Sete palmos de terra») é uma série na SIC Mulher (sim, vejo!) que não conhecia de outras paragens: «Um dia de cada vez» (passou ontem, quarta-feira, pelas 23h), julgo que é o tí­tulo português (e escapa-me o tí­tulo original). O quotidiano de um hospital dá algumas pistas sobre alguns temas quentes da actualidade: aborto, eutanásia, uso de embriões,... Vale a pena passar os olhos e reflectir.
Outra que só agora prestei atenção: «Palmeiras Bravias/Wild Palms», produzida por Oliver Stone, na SIC Radical (deu esta noite algures à uma da manhã!): desconcertante! Fez-me entrar algures na "twilight zone" de Twin Peaks.

Sapos

Miguel,

Como bem sabes um dos valores que mais prezo é o da responsabilidade.
Sempre fui educado a dar a cara e a assumir até ao fim as consequências dos meus actos.
Efectivamente não posso exigir menos a um putativo candidato presidencial que a mim próprio.
Não entendo como a alguém pode passar pela cabeça votar em António Gueterres.
Eu nem a associação de condóminos lhe entregaria quanto mais o mais alto cargo do país.
E a razão é simples: quem foge e faz birra não é líder.
Os erros desculpam-se, vejam o caso de Mário Soares. Mas a cobardia não pode ter perdão.
É uma questão de coluna vertebral. Daí o engolir o sapo.
Espero sinceramente que o PS entenda que António Guterres não é candidato a coisa nenhuma e nem sequer me coloque este dilema.

No outro dia ouvi uma entrevista do nosso Comissário Europeu António Vitorino.
O homem anda tonto, então não é que diz preto no branco que não é está lá para defender os interesses de Portugal, mas sim para defender os interesses de todos os europeus!!!
Se isso fosse verdade, que os comissários defendem o interesse comum, então a questão da sua nacionalidade não se punha e todos os comissários podiam ser alemães ou italianos.
Afinal o tonto do portuga é o único que pensa altruisticamente, que vá para a bardamerda!!!
Era preferível que jogasse golfe como o Deus Pinheiro e não fosse tonto como é.

Cuba

Ontem foi a vez da Celia Cruz...
Cuba está a ficar cada vez mais pobre...
Quando é que chegará a vez do Fidel?

Coachares

Regresso à  Ucrânia. A Oksana (falei dela no "post" anterior) desconfiou da "origem" ucraniana do álbum que lá tenho em casa (de que falo também no anterior "post") - e fez bem. O álbum é de um grupo inglês, apadrinhados por um ucraniano: «The Wedding Present's next effort came completely out of left field: titled Ukrainski Vistupi v Johna Peel, the collection brought together Peel session dates with a sampler of traditional Ukrainian folk tunes inspired by Salowka's father.» Fica o esclarecimento - e o convite à descoberta.

Sapos. Julgo que o sapo que o Zé se dispõe a engolir não se transformará em príncipe encantado. Uma refeição de mil sapos chamados António será ainda assim menos indigesta que uma fatia de bolo-rei!

16.7.03

Bem empregadas

A Adriana Calcanhotto contava a história de uma empregada dos pais artistas que a ensinava a ouvir música popular, que não entrava lá em casa de outra maneira.
A minha empregada é ucraniana. Oksana, depois de descobrir uma cassete (sim, ainda e sempre resistem) minha de música ucraniana - «Ukrainski Vistupi V Johnna Peela» (um disco gravado nas famosas "Peel Sessions" de John Peel) - trouxe-me dois ábuns de música da sua terra. Um deles é assombroso! Três senhoras que só me fizeram lembrar «le mystère des voix bulgares». Fabuloso.

Nojo e Apetite

Hoje de manhã tive um exame do mestrado.
À saída, no parque de estacionamento dou de caras com o António Guterres, devia ter tido uma reunião que é o que fazem as pessoas que não trabalham.
Uma sensação de vómito, de nojo mesmo, apoderou-se de mim.
Aquele rato, aquele homenzinho cobarde provocou-me tal repugnância.
Por fim entendi, se António Guterres for o candidato presidencial da esquerda lá terei de engolir um sapo do tamanho do mundo e votar Cavaco!!!

Onde é que se pode clicar a pedir a reposição democrática em S. Tomé e Príncipe???

Sinto-me velho o CNJ já é maior de idade, brindo a isso!!!

Desde há muito que sou pêtista. Viva o PT e Viva o MST!!!!
Lula estou contigo de alma e coração !!

Afinal um mundo novo é possível.

Posto em desassossego

Entrei hoje no jornal muito cedo. Levantei-me ainda mais cedo. A passarada nas árvores é um óptimo despertar...
Mas logo fui posto em desassossego: golpe de estado em São Tomé, o Júdice a gritar «cadeia com» os que violam o segredo de Justiça e... "who cares?", perguntava-me uma colega de profissão.
O mundo está mesmo perigoso.

15.7.03

Adivinhem quem voltou! Oremos! Aleluia!

Hoje voltei ao Campo Santana (dos Mártires da Pátria, não do Lopes), onde já não passava há muito. Temos melhoramentos! O parque de estacionamento está quase acabado ou, pelo menos, está-se nos acabamentos exteriores.
E adivinhem quem voltou: Sousa Martins, do alto da sua estátua, o médico benemérito e tido como santo curandeiro. A prová-lo: a Câmara Municipal também repôs os ex-votos (lápides de agradecimento pela «eterna ajuda» de Sousa Martins) de muitos e muitos crentes. De quem até era ateu. Beatices, é o que é.

Parabéns a você

Cavaco Silva faz hoje 64 anos. Está a um ano da reforma. Antes das presidenciais, portanto.

CNJ

O Conselho Nacional de Juventude faz hoje 18 anos. Atinge a maioridade.
Tendo acompanhado de perto os últimos 11 anos da sua vida, não podia deixar passar a data em claro. Dou, por isso, os parabéns aos que são hoje os seus representantes e presto a minha homenagem a todos aqueles que para ele contribuíram.

1985 parece, hoje, muito longínquo... quase irreal.
Os Jogos Olímpicos de Los Angeles e o Europeu de Futebol em França tinham sido há pouco tempo e um nome - Chalana - tinha passado a fazer parte do imaginário de muitos de nós. O Mundial do México era já no ano seguinte e o golaço do Carlos Manuel, contra a Alemanha, abriu-nos as portas do sonho... que se havia de tornar no pesadelo de Saltillo. Lembram-se?

A questão que fica é porque raio um conjunto de jovens passou estes tempos a construir o CNJ quando coisas tão importantes se passavam no panorama futebolístico nacional?! Eu não entendo totalmente, mas é precisamente por isso que lhes presto a minha homenagem: porque dedicaram uma parte importante das suas vidas a uma causa na qual acreditavam, mesmo que ela parecesse descontextualizada e pouco importante para a imensa maioria dos jovens portugueses.

Acreditar em causas perdidas, continua, hoje, a ser necessário. Apesar da vitória do FC Porto na Taça UEFA do ano passado e da realização do Euro 2004 em Portugal, já daqui a uns meses...

É por isso que eu acredito no Lula, que acredito que Portugal pode ser melhor e que até acredito no CNJ.

Ovos, Bacon e SPAM

Hoje ataco o SPAM.
Entende-se por SPAM a recepção de e-mail não solicitado com fins de propaganda. Ou qualquer coisa do género.
A verdade é que, à custa de uns quantos programas filtros instalados aqui na associação, não costumo sofrer desta praga que rivaliza com os virus nas doenças da internet. Só que entretanto li umas coisas na NET sobre a dimensão da praga. A coisa já vai em 50% do total de e-mails. Ou seja em cada dois mails recebidos um é SPAM, SPAM, SPAM.
Se considerarmos que o e-mail é já de si responsável por uma parte significativa do tráfego total da internet... no fundo, discursos teóricos à parte, o SPAM (SPAM,SPAM, SPAM...) é responsável, para além da chatice que é, por "comer" muita da largura de banda disponivel para navegar.
Se considerarmos que pagamos o tempo que passamos a navegar...

(Na minha conta do hotmail, mais de três páginas por dia são spam... e dessas só dois mails por semana é que interessam...)

Ora bem, entretanto alguma cultura geral. O termo SPAM foi adoptado devido a um Sketch dos Monty Python num café (Versão MP3. 2.25Mb). O termo significa "Spiced Pork And Ham".

Cartoons
SPAM, SPAM, SPAM, SPAM...

O céu dançante

«A Terra pode ainda não ter encontrado forma de pacificar a sua existência. Mas o Céu, esse improvável e etéreo lugar que imaginamos povoado de almas, ficou ontem mais alegre com o "son" de Compay Segundo e o "swing" de Benny Carter. Havemos de ouvi-los, trazidos pelo vento.»

Um parágrafo apenas, uma singela homenagem de Nuno Pacheco, hoje no Público. Retiro-me em silêncio. Vou ouvir o vento.

14.7.03

Compay, segundo.

É uma primeira porta de entrada para a vida de Compay Segundo. Resta-nos a música, que é (quase) TUDO.

Compay Segundo

Ontem à noite, em Havana, morreu, aos 95 anos, Compay Segundo.
Estou triste...

Eles comem tudo e não deixam nada

A história está no Drudge Report, o "site" tornado famoso por ter sido o primeiro a fazer sair o rumor de Lewinski e Clinton. Há um filme que está a causar polémica nos States: Buffalo Soldiers mostra os soldados americanos a «roubar tudo o que podem». Afinal, nada que não se saiba já, como se pode ler aqui.

Espesso...

Leio cada vez menos aquele «saco de plástico», como lhe chama o caído-em-desgraça-e-já-com-pouca-graça O Independente. Mas no sábado passado estive tentado, como jornalista, a comprar para ler o seu novíssimo «código de conduta». Até virar o calhamaço e deparar com uma "magnífica" notícia em «primeira mão», «exclusivo» e o diabo a quatro sobre o Pinto da Costa e a sua ainda mulher (razão tem Pedro Mexia no seu blogue). «Acredite se ler no Expresso», diziam os rapazes há uns anos! Também é por isso que leio cada vez menos.

Flopes do Santana

Da janela do meu escritório, vê-se um lindo esgoto a céu aberto... (A queixa foi feita em Fevereiro)
O azar do prédio onde vivo: esse esgoto é nas traseiras do edifício, pelo que não dá para pôr um cartaz maior que o prédio a dizer: «Aqui corria um esgoto a céu aberto. Agora não. Lisboa está mais linda!» - e a inevitável assinatura de Santana Lopes.
Mas na frente do meu prédio - de todos os prédios de Lisboa - continua a inevitável porcaria de cães e pessoas. As ruas estão mais porcas de há um ano para cá, e ninguém parece muito preocupado.

Outra assinatura de Santana: em Janeiro anunciou com pompa e circunstância que tinha "tratado" mais de 63 mil processos de obras e afins pendentes. O Público foi ver ao boletim municipal oficial, onde devem ser publicados esses licenciamentos, o número de processos despachados: pouco mais de 2 mil.
A imprensa - incluindo o próprio Público, que empurrou o artigo para o Local de Lisboa, sem chamada nenhuma de primeira página, nem nada (ó Zé Manel Fernandes!) - não ligou nenhuma a isto!
Santana pode afixar um cartaz na rua Viriato, junto ao edifício do Público: «Obrigado. Continuo a vender uma Lisboa que não existe».

12.7.03

Outras pistas

Já falei aqui, mais de uma vez, de Pacheco Pereira. Que acaba por ser um ponto de partida para outros blogues. O DNA bem podia olhar para o Abrupto, não apenas para o citar, mas para partir em demanda de outros blogues. Como um muito interessante, que já adicionei nos meus favoritos: a formiga de langton. Outro que nos propõe idêntico exercício é o Francisco José Viegas. Entre os dois, há outro traço comum - falam-nos de livros. Muitos livros, a descobrir.

O Diogo falou-nos de «Cabine Telefónica», um filme a descobrir nestes tempos em que as escutas telefónicas são o pão nosso de muitas manchetes. A Ana Sá Lopes, no Público de hoje, deve tê-lo lido...

Bloguices

Insisto no tema. Afinal, esta nova Cibertúlia é um blogue. Escrevo este "post" no escritório de casa - melhor: no aproveitamento que fizemos da varanda :) -, onde tenho armazenadas três capas de argolas com cópias dos mails que trocámos quando a Cibertúlia era apenas uma "mailing list" em risco de se confundir com o "spam" que recebemos todos os dias...

Pedro Rolo Duarte no DNA – suplemento que me faz comprar o Diário de Notícias aos sábados – há umas semanas atrás zurziu nos blogues. O tiro fez ricochete e durante uns dias os blogues zurziram no DNA e no seu editor, PRD.

Em traços gerais, PRD acusava a blogosfera de ser o espelho narcísico de jornalistas & colunistas. E dava um exemplo da "casa": José Mário Silva, um "blog-addicted". PRD não percebe que jornalistas & colunistas tenham blogues. Afinal, nos "seus" jornais, eles podem escrever tudo o que quiserem (ou talvez não, insinuava). Eu, jornalista, não me senti atingido: não tenho coluna de opinião, não escrevo editoriais, e raramente escrevi comentários/análises/opiniões (foge-se deles como o diabo da cruz).

O ataque virulento deu lugar a uma atenção semanal, desde então, do DNA aos blogues da praça. Hoje, inicia-se mesmo uma coluna de citações de blogues portugueses, a que PRD e a sua equipa deram o nome de «bloguices». E de quem são os blogues ali referidos? Dos jornalistas & colunistas que PRD criticou: Pacheco Pereira, Pedro Mexia, Francisco José Viegas, José Mário Silva, e pouco mais (curiosamente, três destes quatro nomes são da "casa").

PRD (e o DNA) não arriscou: em vez de procurar descobrir uma blogosfera diferente, propõe-nos a meia dúzia de nomes que se (auto-)cita e (auto-)comenta todos os dias no cantinho bloguista português. Sem margem para a descoberta.

11.7.03

Bloguistas - uns mais que outros

1. O Nuno Alves conseguiu aterrar na Cibertúlia. Hoje somos alguns, amanhã seremos uns quantos mais.

2. A blogosfera é um universo interessante. E como universo ainda só descobri uma ínfima parte das constelações que dele fazem parte. Já vos dei a conhecer algumas "estrelas", como o do Pacheco Pereira. Mas há outros, muitos outros. O Saraiva trouxe-vos o mediático - e (atrevo-me a dizer) óbvia escolha bloguista do "SirHaiva" - Pipi de pénis ao alto. Mas há outros. Prometo (re)descobrir alguns (para além daqueles que estão nas bocas de toda a gente, e nas páginas de todos os jornais e de todos os outros blogues) e dar-vos a conhecer essas constelações, incluindo escolhas menos óbvias.

3. Podem começar a viagem pela blogosfera no único "blog-index" que resiste (ver nos links relacionados «blogues portugueses»): PT Bloggers.

4. A Cibertulia vai a pouco e pouco tentando melhorar. Um post aqui, um link acolá. E a ver se isto dá. Ando a ver se arranjo tempo para o fazer mais sistematicamente - e a ver se consigo chatear os cromos da informática para melhorar outras coisas.

Cheguei

Finalmente. Para a semana prometo uma intervenção mais de fundo. Isto, claro, se este post-it chegar aos vossos olhos...

O Fino à Sexta.

Actualidade
Atão não há um indivíduo que diz ter descoberto o segredo do StoneHenge? Pois, para ele, a construção milenar em pedras não passa de uma representação, género escultura pós-modernista, dos genitais femininos.
Mas, eh pá, não acreditem em mim só por acreditar! A história pode ser lida aqui na CNN.
Já agora confiram o aspecto do monumento, só para ver se têm a mesma sensação de parecença com... aquilo...

Isto aliás lembra-me uma outra teoria que correu por aí em tempos...

BLOG's
Não resisto a dar vazão ao fascínio que me continua a provocar este mundo dos BLOG's.

Um Blog sobre "[...] o camionista que há dentro de cada um de nós". A verdade é que por mais evoluída, e politicamente correcta, que queiramos que a sociedade seja, ainda hoje subsistem exemplos de sucesso à custa da linguagem (mais que) brejeira. Estou claro a falar dessa figura anónima, O Pipi, qual Abrunhosa escondido atrás de óculos escuros, que num mês despontou no panorama BLOGuista português. E teve honras de entrevista no Expresso e tudo (revista Única, Sábado, 28 de Junho de 2003).
Essencialmente a minha referência é feita pelo seu interesse. Eu li e, desculpem-me os meus fãs, gostei. Tem piada. Mas também é polémico, incontornável e pesado... muito na linha de coisas feitas pelo Miguel Esteves Cardoso... portanto, fica o aviso que tratasse de asneiredo do forte.

E agora uma coisa completamente diferente. BLOG's. Eis um artigo interessante, no USA Today.

Cartoons
E por último uma piada. Um dispositivo, à venda no Japão, para mulheres solitárias...

10.7.03

Abruptamente, Burlesconi!

Longe de mim gostar desse personagem chamado BURLESconi...

O "bloguista" mais famoso do país, Pacheco Pereira, reagiu aos acontecimentos do Parlamento Europeu. E relatou-os em pormenor no seu Abrupto. Por achar que os acontecimentos foram contados isoladamente na comunicação social e não se devia descontextualizar. Escreveu PP: «Quando decorreu o incidente do "capo" já Berlusconi estava há mais de uma hora no PE numa situação muito difícil: sujeito a uma manifestação agressiva por parte da esquerda parlamentar, em particular os comunistas , os verdes e uma parte dos socialistas. [...] Este comportamento é simultâneo com o decorrer da sessão, ou seja Berlusconi está a falar e mal se ouve, tal é o barulho, os risos e as vaias, vindos da mesma parte da sala.»

Eduardo Cintra Torres disse no Público que foi o relato jornalístico mais correcto. Teresa de Sousa, no mesmo jornal, preferiu ler os factos, a partir do que seria um acontecimento similar no Parlamento português. Deixo-vos estas pistas para o debate (é a vantagem dos blogues). Eu, ao exercício proposto por Teresa de Sousa, imagino a indignação de Pacheco Pereira...

1, 2, 3

1.
Têm acompanhado a saga do governo italiano desde que começou a Presidência Italiana da União Europeia? Fantástica, não é? O Berlusconi, não fosse ele o chefe, deu o mote logo no princí­pio, ao insultar os deputados europeus (e um alemão em particular) em pleno Parlamento Europeu; depois, veio o subsecretário de estado da economia insultar os alemães no geral e os que fazem turismo em Itália em particular. O Schroeder, depois de ter aceite o pedido de desculpas de Berlusconi, resolveu agora cancelar as suas férias em Itália, como forma de retaliação pelas declarações do tal subsecretário de estado.
Assim, nem com o cristianismo no preâmbulo da constituição lá vamos! É a isto que chamam construção europeia?! Ou será esta a verdadeira divisão entre a nova e a velha Europa? Em vez da referência ao cristianismo não se podia pôr na constituição europeia algo que impedisse fascistas sub-normais (será um pleonasmo?...) de presidir, ainda que por apenas seis meses, aos destinos da União Europeia? Façam a petição, que eu assino!

2.
Outra coisa que eu não entendo é a razão de neste paí­s serem sempre os que berram mais alto a serem recompensados... Refiro-me ao acordo que a ANTRAL, em representação da classe empresarial dos taxistas, obteve do Governo. O resultado imediato deste acordo (ainda que efémero, positivo) é ter-se evitado o protesto pelas ruas de Lisboa, que os proprietários de táxis haviam prometido; o resultado a longo prazo (duradouro e altamente negativo) é a isenção dos industriais deste sector do famoso PEC - Pagamento Especial por Conta. Não está aqui em causa se o PEC é justo ou não é; o que está aqui em causa é que estes empresários, porque ameaçaram o Governo, conseguiram um regime de excepção fiscal. Ou seja, mais uma vez o Governo cedeu às pressões, tornando-se refém do terrorismo civil dos taxistas. Evasores fiscais - 2; Portugal - 0

3.
Na segunda-feira fui ao cinema. Às vezes também vou ao hipermercado, mas desta vez fui ao cinema...
Fui ver o "Phone Booth". Gostei muito, mas o filme é estranho... Recomendo, mas preparem-se para estar 81 minutos dentro de uma cabina telefónica! O Colin Farrell, que até agora não tinha feito nada de jeito, faz um papelão e só é pena que em alguns planos seja tão parecido com o Deco... de resto, apesar de quase não o vermos, o Kiefer Sutherland também está muito bem e o Forest Whitaker ao seu nível. De salientar também as presenças agradáveis à vista da Radha Mitchell e da Katie Holmes (lembram-se da "Tempestade de Gelo"?). O filme torna-se especialmente interessante neste tempo em que as escutas telefónicas voltaram a estar na moda...

No corredor dos iogurtes

Ontem fui ao hipermercado às compras... E tive uma experiência "pós-moderna" no corredor dos iogurtes. Cada vez me convenço mais que, de futuro, para comprar iogurtes será preciso um curso superior. Já se deram ao trabalho de lerem as embalagens que compram? «Bifidus», «B2», «bioactivo», «sveltesse», um sem fim de termos espantosos...

Os GNR de «Pós-Modernos» têm matéria de sobra para uma nova versão.

Lembram-se?
«... depois do V2 DDT PBX
Ketchup K7 kleenex kitchenette duplex
Twist again colourful wonderful
Chegou o T2-T4 c/garagem pró P2 turbo sound disco sound discussão ?
Video-Club joy stick midi high-tech squash & sauna
Compact D (compre aqui?)...»

9.7.03

Escravaturas

1. Faz hoje um dos destaques do jornal Público. Na primeira página, uma foto de Bush - é uma foto bonita, por sinal, apesar de Bush! (será por isso que foi escolhida para destaque fotográfico da capa do diário?) - acompanha um tí­tulo importante: «Bush em África reconhece esclavagismo como "um dos maiores crimes da História"». No resumo da notí­cia, lê-se: «Depois de ter percorrido o entreposto por onde passaram muitos milhares de africanos a caminho da América, Bush reconheceu que "seres humanos foram pesados, assinalados com marcas de empresas comerciais e transportados como carga numa viagem sem regresso"».

Note-se: Bush estava no Senegal, na ilha de Goreia, antigo entreposto esclavagista. Muito longe de Guantanamo, onde o seu Governo mantém seres humanos "escravizados". Um pingo de decência, ficava-lhe bem.

2. Ainda a propósito de Bush, façam este pequeno exercício:
a) Ir ao http://www.google.com.
b) Escrever "weapons of mass destruction", mas sem carregar no enter nem no botão de pesquisa.
c) Em vez disso clicar no botão "sinto-me com sorte" dessa página.
d) Depois ler a mensagem de erro.

É lindo.

8.7.03

Sinais dos tempos

O Diogo pede sinais optimistas para os dias que aí vêm. Depois de ler a imprensa de hoje, não sei se os tempos nos transmitem sinais de esperança.

1. O deputado Alberto Martins foi em «trabalho político» à final da Taça UEFA: teve a falta justificada. O deputado Laurentino Dias foi «à  final da taça UEFA»: teve a falta injustificada.

2. Três adolescentes foram detidos no domingo no estado americano de New Jersey. Segundo a polícia, o trio tinha na sua posse um mini-arsenal de espingardas, revólveres, espadas e facas; a sua intenção seria executar três colegas de liceu e depois partir para um massacre de estranhos escolhidos aleatoriamente.
O arsenal dos potenciais assassinos: duas espingardas, dois revólveres, uma caçadeira, duas espadas (uma delas em estilo "samurai", com lâmina de um metro), inúmeras facas e duas mil balas. Segundo as autoridades, as armas eram propriedade do pai de Lovett; Ron Lovett comprara-as legalmente e mantinha-as guardadas à chave.

Nos EUA não se pode falar de violência nos manuais escolares (como vos falei noutro "post"). Ainda anda por aí um filme sobre isto: «Bowling for Columbine».

3. A Casa Branca reconheceu que as informações sobre a alegada ameaça nuclear iraquiana eram «falsas». Outro motivo para a guerra "esquecido" na gaveta dos vencedores.

7.7.03

durao@meco.bp

Boas!

Em primeiro lugar, deixa-me dizer-te, Miguel, que não te imaginava no Meco... Pelo menos não te imaginava no Meco, a bombar ao som de Björk e de Moby! Mas fico contente! Eu próprio gostaria de lá ter ido aliviar tensões e gastar calorias, apesar do pó e dos engarrafamentos!

Em segundo lugar, deixa-me também dizer-te que não devias duvidar tanto do Durão Barroso. Se ele diz que o país já está a sair da crise, lá terá as suas razões. Compreendo o teu cepticismo, sobretudo depois das declarações do Vítor Constâncio, mas a verdade é que o Durão, aqui há uns tempos, também anunciou que o país estava de tanga... e ficou mesmo! Portanto, se ele diz, talvez seja melhor acreditar... embora o Banco de Portugal diga que não e ao comum dos mortais lhe não pareça, não sei por que artes mágicas, mas cheira-me que o dinheiro vai começar a aparecer...

Talvez tenha a ver com o rigor orçamental da Manuela Ferreira Leite ou com a recuperação das economias internacionais ou com o esforço de poupança das famílias e das empresas portuguesas ou com a magia do novo livro do Harry Potter ou, quem sabe?, com as últimas sondagens que davam maioria absoluta ao PS... mas cheira-me que o discurso terceiromundista, da miséria e da desgraça está prestes a dar lugar ao novo oásis e à terra prometida.

Ainda bem! Talvez assim, possamos voltar a gozar sem vergonha esses pequenos luxos que são os novos estádios de futebol, os telemóveis de última geração ou o fogo-de-artifício da Björk. De vós não sei, mas eu acho que já merecia!

Björk

1. Este fim-de-semana foi sinónimo de Björk: fantástica, fabulosa, sublime. Do fogo-de-artifí­cio ao «obrrrrigado» exótico houve de tudo. Mas houve sobretudo música interpretada de uma maneira assombrosa, sem artificialismos.

2. Artificialismos são aqueles que povoam os manuais escolares americanos, expurgados de qualquer referência considerada ofensiva para minorias: «gordo», «coruja», entre outras palavras muito perturbadoras para os estudantes americanos, não podem ser aprendidas. O fenómeno é provocado pelos extremos - de direita e de esquerda - que pressionam as autoridades para evitar desvarios. Não admira que o Bush venda uma mentira, e todos caiam nela.

Mas há uma deliciosa: Deus foi banido (alô, constituição europeia?!) porque é uma ofensa para os não cristãos. Isto no país em que o seu Presidente invoca Deus para fazer a guerra.

Cito do Público, a lista completa:
- Actriz (palavra considerada sexista; usar actor para os dois sexos)
- Adão e Eva (usar "Eva e Adão", para mostrar que os homens não têm precedência)
- Anão (usar "pessoa de reduzida estatura")
- Deus (banida por ter ser discriminatório para os não cristãos)
- Diabo (idem)
- Dogma (considerada etnocêntrica, usar doutrina)
- Escravo (substituir por "escravizado")
- Gordo (usar obeso ou pesado)
- Homem Cro-Magnon (usar "pessoas Cro-Magnon")
- Iate (banida, considerado elitista)
- Maluco, Doido (usar "pessoa com problemas emocionais")
- Leste, Oeste (consideradas eurocêntricas quando usadas para descrever regiões planetárias, usar apenas os nomes de continentes)

· temas a evitar em textos de manuais
- Magia, sobrenatural
- Morte
- Aborto
- Doenças
- Teoria da evolução
- Religião
- Questões militares
- Desporto
- Terminologia agrícola, financeira, jurídica, científica
- Polí­tica
- Estilos musicais "controversos" (rap, rock n' roll)
- Desemprego
- Criaturas "assustadoras" ou "sujas" (ratos, morcegos, escorpiões)

·livros banidos
- "Huckleberry Finn", Mark Twain
- "Não matem a cotovia", Harper Lee
- "Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley
- "Uma agulha no palheiro", J. D. Salinger
- "Adeus às Armas", Ernest Hemingway
- "Diário", Anne Frank
- "As vinhas da Ira", John Steinbeck
- "Voando Sobre um Ninho de Cucos", Ken Kesey
- "Fahrenheit 451" (ironicamente, um livro cujo tema é a censura), Ray Bradbury
- "Harry Potter", J.K. Rowling

4.7.03

Economês

1. Esta foi uma semana atípica. Trabalhei no fim-de-semana, o que deu direito a umas folgas e a um afastamento temporário da Cibertúlia. Ontem, quinta-feira, tive uma reunião da empresa, aquelas sessões que os gurus das novas economias entendem ser fundamentais para criar «espírito de empresa», ou algo assim, mas que nunca se percebe muito bem o que é, tirando o facto de ser um dia (quase) sem trabalho.
O fantástico da coisa é tomar contacto com o «economês» de quem nos lidera. Assim, fiquei a saber que chegámos a terra firme, mas lá fora é a selva (para o ilustrar a empresa fez a reunião num "parque zoológico"). Incertezas por incertezas, eu, Marujo, prefiro voltar a aviar-me no mar salgado.

2. «Durão Barroso acredita que o país já está a sair da crise», titula o Jornal de Notícias de hoje. Dias depois de Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, ter dito que estávamos ainda mergulhados nela - e que sinais positivos só em 2005. Lembram-se do oásis de Braga de Macedo? Era um ministro das Finanças de um Governo que tinha no seu elenco Durão Barroso... Quem disse que a história (ou os disparates) não se repete(m)?

3.7.03

O Estado da Humanidade...

Armas de destruição ...
Confesso que, quando utilizei o termo, também tive as minhas dúvidas e, sem grande conhecimento, optei por uma delas. Depois da discussão que se gerou acho que futuramente evitarei o problema utilizando termos alternativos. Por exemplo o mais correcto (politicamente) ADGQPB, Armas de Destruição de Grandes Quantidades de Pessoas e Bens.
No entanto, diz o povo, e tem razão, que o melhor termo é AFT, Armas que F*dem Tudo (Leia-se Armas que Fasteriscodem Tudo).

Chicos-espertos.
Chegou-me por mail este texto pertinente, sobre um caso recente e sobejamente conhecido, e que partilho aqui. A quem já o conhece... passe por cima.
Por LUCIANO ALVAREZ, Sábado, 28 de Junho de 2003. [Público]
Enquanto somos, diariamente, avassaladoramente avaliados, temos o direito de exigir que nos respeitem como titulares de órgãos que dão o seu melhor para o cumprimento dos seus mandatos", pediu recentemente aos portugueses o Presidente da República.
Mas como podem os portugueses ter respeito por alguns políticos quando lhes chegam quase diariamente exemplos que os levam a ter a atitude contrária?
Como podem os portugueses respeitar os cerca de 30 deputados do PSD, CDS e PS que foram à borla ver a final da Taça UEFA e agora exigem que não lhes seja marcada falta, alegando, sem vergonha, que se deslocaram a Sevilha para assistir ao jogo do FC Porto em "trabalho político" e "em representação parlamentar"?
Não pode haver respeito pelo menos para estes deputados, para quem a sabedoria popular tem um nome certeiro: chicos-espertos.
Não foi a Assembleia da República (AR) nem nenhum grupo parlamentar que foram convidados para ir a Sevilha. Foram cidadãos que, por serem adeptos do clube das Antas ou por qualquer outra razão, o FC Porto decidiu incluir na lista de convidados. E quando alguns deputados dizem que o Parlamento "seria criticado" se não estivesse presente naquele acontecimento "tão importante para a afirmação de Portugal", só podem estar brincar.
Se os deputados futeboleiros tiverem falta justificada pela excursão a Sevilha, cada vez que o Presidente da República pedir respeito pelos políticos o povo desata a rir. A não ser que faltar ao dever para ir à bola seja, como diz Jorge Sampaio, dar "o seu melhor para o cumprimento dos mandatos".

P.S. - PORTUGAL GANHOU RECENTEMENTE 21 MEDALHAS NO CAMPEONATO DA EUROPA PARA DEFICIENTES. QUANTOS DEPUTADOS LÁ FORAM OU
MANIFESTARAM O DESEJO DE LÁ IR EM REPRESENTAÇÃO DA AR? NENHUM. QUANTOS DEPUTADOS SE INTERESSAM PELA FALTA DE APOIOS A ESTES ATLETAS? PROVAVELMENTE, MUITO POUCOS. É QUE ESTES CAMPEONATOS, AO CONTRÁRIO DE UM JOGO DE UM GRANDE CLUBE DE FUTEBOL, NÃO DÃO PARA OS CHICOS-ESPERTOS SE PAVONEAREM. E TAMBÉM NÃO HÁ CHARUTOS NEM "WHISKY" À BORLA.



Efemérides
Katherine Hepburn morreu. E felizmente a maior parte da sociedade moderna ainda vai tendo capacidade de se comover com estas perdas.

Hoje começa na Assembleia a discussão sobre o estado da nação. Ouvi na TSF um pequeno inquérito ao português de rua que, rapidamente, deu o seu lacónico veredicto: "Muito mau", "Péssimo", "Crise" e, um dos mais eloquentes, "[...] a culpa é desta nova moeda.".

Hoje o recente plano de paz israelo-árabe teve o primeiro revés. Resistirá ao teste?

E que me dizem da "piada ironica" de Berlusconi no Parlamento Europeu?

Hoje é Quinta, mas como amanhã é feriado municipal em Coimbra, 4 de Julho, sabe a Sexta. Já agora ouvi um rumor que os Americanos, por simpatia para com os Conimbricenses, também comemoram a mesma data. Portantos: vou beber um fino logo.

2.7.03

Miacoutar é lindo!

Porque é que a questão tem de ser "maciço" ou "massivo"? Porque não trocar o exclusivo "ou" pelo inclusivo "e"?
Confesso que, intuitivamente, tenderia a utilizar a expressão "massiva" para a designação das tais armas. Não sei porquê, mas acho que é por identificar "maciço" mais com as propriedades dos metais, tipo "ouro maciço"... Mas, se calhar, essa minha tendência é mais bem explicada pelo facto de utilizar diariamente o inglês como lí­ngua franca de trabalho... Pode ser.

Ainda assim, depois de reflectir, substituindo a intuição pela intenção, continuo a achar que não tenho de escolher. As línguas não devem cristalizar e não vejo nenhuma razão para condenar a utilização de uma expressão só porque é um galicismo ou um anglicismo ou outro ismo qualquer. Sou a favor da mestiçagem e acho que as lí­nguas são uma óptima expressão desse processo. Aliás, vou mesmo mais longe e fujo como diabo da cruz da tentativa de aportuguesação (toma lá mais uma nova e vai ver se vem nos dicionários!) dos termos estrangeiros que incluo nas minhas formas de expressão mais quotidianas. Arre, se reconhecemos que a "saudade" é intraduzí­vel, porque não reconhecer também que há termos e expressões inglesas, francesas, espanholas ou outras quaisquer que também são intraduzí­veis?! A correcção da lí­ngua, do meu ponto de vista, deve ser preservada na gramática e na sintaxe, nunca no vocabulário! É por isso que a lí­ngua portuguesa não é de Camões. O bravo Luís não passaria, hoje, num teste de lí­ngua portuguesa. Na verdade, nem saberia escrever o seu nome, já que, provavelmente, ainda assinaria Camoens...

De qualquer forma, o que mais me "picou" foi a vil e injusta acusação feita à globalização, que, ultimamente, parece ser a responsável por todos os males do mundo... Não é! Não vou explicar aqui o que é a globalização - precisamente porque se trata de algo muito mais complexo do que alguns querem fazer crer! - mas não hesito em afirmar que a globalização não é responsável pelo domínio do inglês, nem pelo declí­nio das lí­nguas latinas. Aliás, devo dizer que não vejo porque é que se possa falar desse declí­nio, já que não o verifico em lado nenhum. Na sociedade norte-americana, por exemplo, nunca o espanhol foi tão importante e toda a gente sabe que vai continuar a crescer e a impor-se cada vez mais. Por outro lado, como o Zé disse e muito bem, as lí­nguas latinas falam-se em todo o Mundo e, isso sim!, tem a ver com a globalização...

Fala-se da globalização como se a globalização fosse ela própria uma entidade; como se tivesse capacidades humanas; como se fosse capaz de pensar e planear; como se fosse uma mente profundamente má nas intenções e maquiavélica nos métodos... A globalização é "apenas" um processo, um processo histórico e humano. Talvez seja mesmo o processo histórico da humanidade, a História. Reduzi-lo a uma das suas infinitas facetas é, isso sim, maquiavélico, porque nunca pode deixar de ser uma tentativa de utilizar a globalização para justificar um discurso preparado e intencional.

Quem me conhece bem, nomeadamente na minha vertente mais académica, sabe que adoro este tema e que podia ficar aqui horas a escrever sobre ele... Não o vou fazer, mas tenho de agradecer ao Zé por me ter ensinado a traduzir uma parte do processo de "globalization" para português: diz-se miacoutar! E é lindo!

Miacoutar

Pois é a Língua Portuguesa já não é o que era !!!
Já não há respeito pela Língua de Camões !!!
No meu tempo não era assim !!!
Antigamente havia a Edite Estrela que corrigia o Povo com bondade e severidade !!!
Hoje é a total bandalheira !!!
Já ninguém se entende !!!
Isto é tudo uma pouca vergonha !!!

Após uma conversa de taxista, a nossa alma fica purgada de qualquer cegueira conservadora e purista.
Efectivamente parece-me que é consensual que a palavra massiva não existe em Português de Portugal, para tirar dúvidas podem consultar o Ciberdúvidas como o Miguel sugere.
No entanto e felizmente a língua não é estanque, evolui e apropria-se de termos e linguajares longínquos que incorpora e renova, é a isso que hoje em dia chamo de miacoutar.
Perdemos este brincar com as palavras ??? Negamos o novo ??? Como aceitar sem perder o essencial ???
Não há bela sem senão e efectivamente vivemos numa época dominada pelo inglês e é dele que partem as grandes influências.
A Globalização tem destas coisas !! Mas não teve sempre, as línguas Latinas falam-se em todo o Mundo !!!

Eu por uma questão estética e por uma questão de resistência uso maciço. Até me miacoutar.

Erros massivos ou disparates maciços?

É uma boa pergunta, Zé. Sabemos que os erros dos americanos foram massivos. E as armas continuam por encontrar. Assim como o Português não dá para esclarecer.
Consultei, há tempos, o Ciberdúvidas (um bom site sobre dúvidas de Língua Portuguesa) e seguindo os seus conselhos optei pelo «massivo», galicismo como sabemos, pouco dado às massas italianas. Hoje, quando lá voltei, para poder "sacar" as doutas opiniões, dei de caras com uma outra...
Assim, deixo à vossa escolha:

1. «Querendo maciça significar «compacta, que não é oca; que representa grande densidade, espessa» e massiva «significativa; relativo a um grande número de pessoas», inclino-me mais para o uso do adjectivo massiva para qualificar destruição. Sendo assim, a frase ficaria: «A destruição provocada por armas nucleares é massiva/significativa».
Estou ciente de que nem toda a gente vai concordar com esta explicação, pois está enraizada a noção de que maciça e massiva são sinónimos, como aliás vem referenciado no Dicionário de Sinónimos da Porto Editora.»

Maria Celeste Ramilo


2. «O adjectivo "massivo" ocorre tanto na versão escrita 2003 como na versão "online" do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, com o significado de «relativo a um grande número de pessoas, referente a massa; sólido, volumoso; significativo». Na 8.ª edição revista e actualizada 2000 do dicionário da Porto Editora a palavra ainda não aparecia.
Outros dicionários de referência não a mencionam, a não ser o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, definindo-o apenas como termo linguístico: «Diz-se do substantivo que representa um conjunto que não é passível de ser dividido».
Sendo um termo condenado pelos puristas, a maior parte dos dicionários já o regista.»

Maria Celeste Ramilo


3. «Não parece que haja necessidade de usarmos o adjectivo massivo, talvez por cópia do inglês massive e/ou do francês massif, porque o nosso adjectivo maciço, além de o compreendermos melhor por ser da nossa língua, traduz perfeitamente os sentidos originais dos termos estrangeiros massive e massif.
O nosso maciço também tem que «ver com "massa", com ser compacto e denso.», pois que, entre as várias significações, tem as seguintes: que é compacto; pesado (sinónimo de denso) – acepções estas a que se refere o prezado consulente para justificar a adopção do estrangeirismo massivo, de que não precisamos. É palavra que nem sequer vem nos dicionários.
Não precisamos para nada da palavra massivo em «afluência massiva de pessoas = afluência em massa», porque o nosso vocábulo maciço também se emprega nesta acepção. É o que nos ensina o muito bom e conhecido Dicionário Aurélio na entrada maciço:
«Em grande quantidade, comparando-se ao que é comum: presença maciça de espectadores.»
Em conclusão: o prezado consulente não apresentou nenhum caso em que o significado de massivo não esteja também em maciço.
Possivelmente, deixou-se levar, o que é natural, pela grafia massivo, em que há os dois ss de massa. Mas uma coisa é a grafia, e outra é a significação. No caso em questão é esta que interessa.
Caso semelhante se passa com o espanhol macizo, ligado também à ideia de massa. Diz assim o bom e conhecido «Diccionario de Uso del Español» de Marta Moliner na entrada macizo, a: «Formado por una massa sólida sin huecos en su interior.»
No nosso português, não é estranho o uso de maciço para significar grupo de pessoas ou coisas muito juntas, como vimos na transcrição atrás.

J.N.H.


4. «Massiva está sempre errado. Este adjectivo é um galicismo condenável, dado que temos há muito, com o mesmo significado, o vernáculo maciço. Portanto: «armas de destruição maciça».

F.V.P. da Fonseca


Baralhar e dar de novo. Como se lê a língua portuguesa tem muito que se lhe diga. Eu, por mim, estou baralhado. Edite Estrela, volta, e ilumina as nossas vidas!