16.5.08
15.5.08
A cruz deles
Cromos
14.5.08
Em suspenso
Jovens
Um ano
13.5.08
Falta de prática
Há uma defesa tão intransigente de um sacramento que data da Idade Média que isto acaba por afastar. Cuidasse o cardeal Saraiva das famílias, como cuida dos seus santos, e isto era um mar de beatificações. Só que a família de todos os dias é coisa mais difícil de viver e construir, mas isto é coisa que muitos cardeais, bispos e padres desconhecem por falta de prática.
12.5.08
Criminosos
Censura
10.5.08
Dias na cidade
7.5.08
Lavrador
Igreja velada
[a notícia]
Liberdade de BESpressão
[actualizado: «O BES, vertente financeira do Grupo Espírito Santo, está presente em Angola através do BESA, que conta com 20 por cento de capital angolano. Entre os accionistas locais está a filha do presidente, Isabel dos Santos.» - lido no Público de hoje.]
6.5.08
Portugueses com fome
A mim pouco me importa que o défice baixe duas décimas, que o desemprego caia zero-vírgula-qualquer-coisa por cento. Enquanto houver um português que seja a passar fome (e a morrer de fome, saberemos quantos são?), o Governo não devia sorrir, muito menos assobiar para o lado ou reclamar que assim é que continuamos bem.
Não continuamos nada bem. Anos e anos de combate ao défice, de sacrifícios para lutar contra este papão não nos melhoraram a vida, nem a carteira. Agora, a fome! – sim, há portugueses que não têm dinheiro para o pão. E as mais de mil toneladas recolhidas pelo Banco Alimentar não nos deviam satisfazer. O bom era, ano após ano, ser cada vez mais pequena a necessidade de uma organização assim.
[a minha crónica hoje no 24 Horas]
Falar de tanque cheio
5.5.08
Falar com a boca cheia
Menezes tinha prometido ficar em silêncio no próximo ano e meio. Mas, sabíamos, era uma questão de dias
Teremos, certamente, muitas outras gotas de água.
4.5.08
No sorriso louco das mães
No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo.
São silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos. Porque
os filhos são como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudez de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado
por dentro do amor.
Herberto Helder
2.5.08
Samba de várias notas
Ineficiências
1.5.08
Primeiro de Maio
Peço desculpa, mas insisto
Scarlett Johansson, Falling Down
[do novo álbum, a editar este mês]
e os seus antecedentes, adequadamente ilustrados:
Scarlett Johansson, Summertime (com imagens de Lost in Translation)
30.4.08
Abril de fecho
29.4.08
O estudo que Cavaco (tres)leu
«os índices de participação social dos jovens são mais elevados do que os da restante população, facto que não se deve exclusivamente à pertença a associações estudantis ou a grupos desportivos»;
«os jovens seguem este padrão, mas com uma nuance importante: em geral – e mais uma vez exceptuando o voto – tendem a ser menos cépticos do que os mais velhos em relação à eficácia de todas as formas de participação política, convencionais ou não»;
«entre os mais jovens (15-17 anos) e os jovens adultos (18-29 anos), essa insatisfação [com o funcionamento da democracia] é algo menos pronunciada do que entre os mais velhos, assim como tendem a existir entre eles atitudes mais favoráveis (especialmente entre os mais jovens de todos) a reformas incrementais e limitadas na sociedade portuguesa»;
«os níveis de disponibilidade para a participação e de participação real dos mais jovens podem ser vistos como sendo comparativamente elevados tendo em conta a sua posição no ciclo de vida».
É de mim, ou o senhor Presidente forçou a nota, acompanhado pelo coro das velhas?!
Os dias a seguir. Abril ainda - e sempre
Abriram-se, tarde na noite.
A imagem aqui ao lado entrou-nos pela casa dentro dezenas, centenas de vezes. Em tempos, tirei-a eu do filme «Caminhos da Liberdade». Gosto dela assim.» [Joana Lopes, Entre as brumas da memória]
[e como gosto de ter uma Madrinha assim...]
Força, companheiro Vasco
«No filme A Vida de Brian, dos Monthy Python, uma das personagens mais estúpidas pergunta “mas afinal, que fizeram os romanos por nós?”. Alguém sugere: “o aqueduto”, “os esgotos”, “as escolas”, “as estradas”, e por aí adiante. O primeiro vai ficando irritado até que finalmente se vê forçado a responder: está certo, mas tirando os aquedutos, os esgotos, as escolas, as estradas, o direito, o comércio, e essas coisas todas — que fizeram os romanos por nós?
Na sua crónica de sábado sobre “O 25 de Abril”, Vasco Pulido Valente [VPV] garante-nos que “tirando as leis que instituíram a democracia, o PREC não deixou uma única reforma necessária e durável”. Com os termos definidos por VPV, em que 25 de Abril e PREC são tratados como intermutáveis, eis de novo a questão de A Vida de Brian: “mas afinal, que fez o 25 de Abril por nós?”.
Só que a resposta de VPV é mais divertida: “tirando as leis que instituíram a democracia”, nada. Por outras palavras: tirando eleições livres e justas, imprensa sem censura, extinção da polícia política, partidos políticos, fim da tortura e dos presos de opinião, liberdade de manifestação e associação, que fez o 25 de Abril por nós? Nada.
Alguém diz: então e a guerra? Eu não sei se o fim da guerra é uma “reforma”: para mim, é melhor do que isso. Ora, diz VPV, o “abandono de África não provocou nenhuma resistência interna, provando a artificialidade do imperialismo indígena”. Pois tirando o fim da guerra, que foram treze anos de “nenhuma resistência interna” mais a “artificialidade” de uns milhares de mortos, temos o quê? Nada.
***
E que reformas nos deixou o PREC? Três ao acaso: universalização das pensões de reforma, generalização das férias pagas e Serviço Nacional de Saúde. Mas não sei se cabem na definição de “necessárias” e “duráveis” de VPV. Terá sido a extraordinária diminuição da mortalidade infantil “durável”? Para os interessados, parece que sim. Terão sido necessárias as pensões adicionais? Para o milhão que passou a usufruir delas em poucos anos, sim. E as férias? Essas, como diz toda a gente, são muito necessárias mas pouco duráveis.
Recapitulemos: tirando os recém-nascidos que sobreviveram, os velhos que recebem pensões, os jovens que não foram à guerra e lotaram as universidades, os adultos que gozaram férias e o pessoal todo que viajou para o estrangeiro sem ser “a salto” e nem precisar de passaporte, que fez o 25 de Abril por nós? Nada.
Vasco Pulido Valente tem no entanto razão se pensarmos que em qualquer revolução há sempre coisas que já vinham de antes e outras que ocorrem depois, que a história é uma coisa atrás da outra, e que o resto é conversa. Um exemplo: a entrada na UE não é o 25 de Abril. Mas é muito duvidoso que chegássemos a uma coisa sem a outra. A não ser, é claro, para as mentes retroactivas da direita portuguesa, que ainda lamentam Marcelo Caetano porque nunca deixaram de acreditar que a única maneira de nos aproximarmos das democracias teria sido sempre dar mais tempo aos nossos regimes autoritários.
Em suma: tirando esse pormenor da democracia, tirando a descolonização e tirando o desenvolvimento, que fez o 25 de Abril por nós? Ridiculamente pouco, pelo menos se comparado com Vasco Pulido Valente, que só nos últimos meses já nos garantiu, para além desta pérola, que Menezes chegaria a primeiro-ministro e Mitt Romney seria o próximo presidente dos EUA.» [Rui Tavares, no Público de ontem]
28.4.08
Ignorantes, sem respeito, ai os jovens
Quem foi que disse? Quem? Respostas aqui. Para cavacos aprenderem.
Credibilidade
Numa e noutra pasta Manuela Ferreira Leite falhou, mas hoje (dizem-nos) é credível. Estranha credibilidade que se ganha olhando para os restantes quatro candidatos.
26.4.08
25.4.08
Ignorância, 3
Ignorância, 2
Ignorância, 1
25 de Abril. Sempre
boomp3.com
José Mário Branco, Queixa das Almas Jovens Censuradas (Natália Correia) [via JMF]









