28.7.07

Verdete

Passeie-se pelas ruas de Campo de Ourique, ali nos Prazeres: verde a despontar por entre as pedras da calçada. Não é poesia. É sujo, verdete, erva que não é cortada, calçada so typically green. É uma cidade descuidada, esta. À espera de uma autarquia que funcione. Seis anos a ver só um túnel a ser aberto, é tempo demais para uma cidade.

27.7.07

A banhos

O Correio da Manhã descobre hoje em manchete aquilo que todos os anos acontece: o bispo de Aveiro, António Francisco, vai às praias, no mês de Agosto. Já o anterior, António Marcelino, o fazia - de batina ou de calções de banho. A surpresa só pode ser de quem gosta de pensar a Igreja numa quadratura de círculo esclerosada, ensimesmada e fechada na sacristia. Que também a há, mas que não é única, nem maioritária. Eu, por mim, lamento que (depois da praia) o senhor bispo não vá à fábrica, mas isso, é outra história.

Editorial

«Cheias afectam cerca de 100 mil pessoas
As agências humanitárias estão a acelerar a ajuda alimentar e de "kits" de saúde para a região afectada.»

Não, não é no Reino Unido, é no Sudão. Alguém leu?

Homer

O pai Simpson aqui tanto tempo parado foi um acaso. Mas sabe bem o humor e a ironia deste tempo parado. Olhar as gordas dos jornais e perceber que este fim-de-semana temos de ir ao cinema. Com o pai Homer ou o verde ogre ou os aceleras do Tarantino.

26.7.07

Homus Simpson


Nos cinemas.

Mais natalidade?

«O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social considera que uma medida de estímulo à natalidade é ter creches com horário alargado, apontando como exemplo ideal 24 horas de funcionamento. A ideia será ter mais filhos quanto menos os tivermos que ver.
Não terá posto o Sr. ministro a hipótese de que teríamos mais filhos se tivéssesmos mais tempo para eles. Se a licença de maternidade/paternidade fosse alargada e paga. Se o pai e/ou a mãe pudessem diminuir o número de horas de trabalho para acompanhar os filhos. Se as escolas não fechassem em Agosto. Se o Estado estimulasse as grandes empresas a ter creches próprias.

E evitem-se os prematuros para não perder um ou dois meses de subsídio pré-natal!»
[in Dias de uma princesa]

25.7.07

Famílias. Insistir no óbvio

Os juízes da Relação consideraram ainda que «a menor deve viver no seio de uma família, de uma família tradicional portuguesa, e esta não é, certamente, aquela que seu pai decidiu constituir, uma vez que vive com outro homem, como se de marido e mulher se tratasse».

Hospício

O senhor Jaime Ramos devia ser internado num hospício, não há escola de boas maneiras que o salve.

Geração rasca (ou critica sempre os outros apesar de eu ter feito bem pior)

Cito: "José Manuel Fernandes conta [ontem] no seu jornal como era «revolucionário» aos 17 anos e como liderou a malta dos liceus em Lisboa para não haver exames do antigo sétimo ano em 1975". O mesmo JMF que acha qualquer reivindicação estudantil e universitária dos dias de hoje leviana e sem fundamento, apesar de todas elas serem fundamentadas e pensadas, e não meras leviandades de quem acordou uma manhã livre (felizmente) e queria dar uns sopapos nos gajos do PCP (era lá com eles), que foi como pelos vistos a coisa se passou nesse dia.

Ibéria

José Saramago plantea la unión de España y Portugal y los dos países recelan,

... escreve o El Mundo, sobre as declarações que tantos se apressaram a desprezar, criticar ou gozar... mas ninguém cuidou de procurar pontos de vista (para além do económico) que nos dissesse um pouco mais... a não ser o El Mundo...

pero van las chicas Playboy y hasta se ofrecen voluntarias como embajadoras para la Iberia del nobel: «Seguro que a nosotras nos harían mucho más caso», presume Wilma González.

... Tal e qual. Este é o ponto de partida inesperado e delicioso de uma reportagem do suplemento «nove e semanas e meia de Verão» do jornal de referência espanhol. No fim, uma certeza: neste aspecto, Portugal não precisaria de união. A vitória é clara: 2-0. Afinal...

A Sara Santos, morena lisboeta, le falta su descaro, pero compensa su timidez alegrando al personal con la cara de no haber salido nunca de su madriguera.

Ser solitário assim...

Hola, soy el Solitário, disse o assassino que os espanhóis mais procuravam, frente a uma multidão ululante e a câmaras frenéticas. Aquela frase, naquele contexto, era um paradoxo. Ele era tudo menos um solitário, ali. A frase pode ser dita com muito mais propriedade pelo homem barbudo que se senta no banco da Avenida da Liberdade, de cartões e sacos na mão e pombos em volta a falar só. Sou um solitário, diz ele, sem dez segundos de fama, nem mortos no currículo.

24.7.07

Irrelevante

A Cátia de 10 anos cose os sapatos sem que ninguém saiba, depois de vir da escola - uns cinco euros por dia. O pai está desempregado, a mãe faz limpezas. A família tem direito ao rendimento mínimo. Ontem, por 30 euros, um grupo de crianças foi fazer de aluno a uma sala de aula recriada no CCB. Qual é a diferença? Nenhuma. Um é glamouroso, o outro não. Uma é socialmente censurada, a outra a própria ministra da Educação disse que é irrelevante.

23.7.07

21h02

Saio para a rua e vejo a noite a colorir o céu. Os dias longos encolhem, o Verão vai murcho, mas apetece muito estes dias - e noites.


[A solução de Pilatos era no Verão termos a hora da Europa e no Inverno regressarmos à portuguesa. Dias a perder de vista no calor, dias maiores no frio.]

Política sem futuro

Menezes insiste que Costa foi eleito por um em cada dez lisboetas. Eu (que nem votei no candidato do PS) pergunto quantos lisboetas votaram em Negrão? Pois.
(Estes senhores insistem em não perceber a abstenção dos lisboetas...)

Escola do futuro

José Sócrates apresentou um programa da "Escola do futuro"... Os jovens da assistência eram meninos contratados a uma agência de casting. De facto, tem tudo a ver: o trabalho infantil do futuro, ou a escola dos dias de hoje, chama-se televisão e fama. E o Governo bate palmas a isto ou pune quem contratou estes meninos?

Uma semana... e já saudades


Praia das Cacimbinhas, Tibau do Sul (RN), Brasil
(clicar para ver um quase-paraíso de perto; foto MM)

Trancas à porta

Paulo Portas não fez qualquer leitura sobre o exercício da política em Portugal. Alimentou um suposto tabu, para entreter e sacar da cartola um tiro ao alvo do segredo de Justiça cujas «24 violações» teriam prejudicado a candidatura a Lisboa. No discurso castrista (pela duração, como Fidel, pela secura, como o ex-líder deposto Ribeiro e Castro), o antigo director de O Independente do caso fax de Macau, dos hemofílicos de Évora e de muitos outros casos judiciais verberou (pasme-se!) essa violação do segredo de justiça. Não vale a pena lembrar estas contradições. O exercício da memória (esse sim) há muito que se esfumou da política. Para não falar do pudor.

22.7.07

[oração das] Laudes


Scarlett, Woody...
(clicar para a oração ser mais legível)
[via Breviário - das horas...]

20.7.07

Falsas virgens

Depois de Portas anunciar que está a reflectir, Santana Lopes afirmou estar "a pensar em toda a situação" do partido, aconselhando "todos" a fazerem "um exame de consciência" ao actual momento político depois do que aconteceu nas eleições intercalares de dia 15 de Julho em Lisboa. Eles querem voltar, pondo ar grave e sério e virgem. Mas os dois já provaram à saciedade que não são virgens.

Brown effect

«O Partido Trabalhista manteve os dois lugares no parlamento que foram a votos na quinta-feira, representando uma primeira vitória de Gordon Brown contra o líder dos Conservadores, David Cameron, foi hoje divulgado. Phil Wilson sucedeu a Tony Blair pelo círculo de Sedgefield, depois de o antigo primeiro-ministro ter renunciado ao título de deputado no mesmo dia em que abandonou a chefia do governo.» [Lusa]

19.7.07

Smells like teen spirit

Spencer Eldon, 17 anos. O bebé da capa de «Nevermind» dos Nirvana.


Ex

Chego tarde (mas sempre a tempo, nos blogues) à casa que o Ivan vai construindo, no lugar da sua praia. Fica a nota, começam as visitas.

18.7.07

Pecado

A notícia tem dias, mas tenho de a trazer: os gestores e empresários católicos querem flexibilizar horários e despedimentos. Estes senhores estão a pecar gravemente, mas nenhum bispo lhes puxa as orelhas!

17.7.07

Mapas

Lisboa juntou-se a Felgueiras, Gondomar e Oeiras. No prémio aos arguidos.

Literatura meteorológica

Ao acaso, a meteorologia das férias acompanhou os livros escolhidos. Um relato por uma Inglaterra chuvosa e a sensualidade de corpos e ritmos pulp fiction em versão Rio de Janeiro. A síntese fez-se em Tibau do Sul, um recanto do Rio Grande do Norte, só para baralhar ainda mais as coordenadas.




[Lidos, e recomendados: «Crónicas de uma Pequena Ilha», de Bill Bryson, Quetzal; «Bandidos e Mocinhas», Nelson Motta, Palavra]

Acanhamento

Actualize-se o pregão: mesmo acanhado, o Verão está aí.

Ceia

«Há um buraquinho para mais mimos?...» As frases que os publicitários da Danone esconderam nas tampas dos iogurtes chegam a ser perturbadoras.

16.7.07

Portas

Paulo que foi das feiras provou, nos últimos meses, como se pode fazer política sem olhar a meios e a quem. Mas ontem voltou a pôr o seu ar fingido de virgem ofendida para anunciar solenemente que vai pensar como se faz política em Portugal. Podia olhar-se ao espelho (e ao do partido). Talvez aprendesse de vez.

Lisboa

Assim, uma leitura rápida: Costa obrigado a governar à esquerda, evitando de preferência a lista arguida. A preferência confirmada dos eleitores por arguidos. A delícia da derrota de Portas (a "pessoalização" de Telmo é venenosa: este era a aposta "pessoal" de Portas). E Negrão a atear o lume brando em que se queima Marques Mendes. Lisboa tem de mudar devagarinho, em dois anos.

15.7.07

Semana fora

... desperdicei um convite radiofónico delicioso,
... perdi o folheto da CDU que anuncia o apoio de «Henrique Viana, actor»,
... vi que a comissão administrativa da Câmara mostrou obra, ao colocar uns pilaretes, para impedir que os eléctricos fiquem presos por carros mal estacionados nos Prazeres,
... perdi os Air, hoje serão os Nouvelle Vague, e deve haver mais, que nem consultei os guias, e para tortura já basta,
... e deve haver mais alguma coisa, mas ainda só saí para votar e não comprei jornais.
Há que prolongar este regresso vagaroso.

Regresso

Chegar devagarinho à cidade, que teima em tons cinzentos, a 15 de Julho, preparar o cartão de eleitor para votar, bem dizer a semana longe da campanha, longe de tudo, quase tudo. Chegar devagarinho ao blogue, não saber o que anima as outras casas. Não querer saber. Gozar a cidade, o dia. Devagarinho.

7.7.07


Film lovers will love this! Ou outra sagração do Verão, ou gostar da Europa.

6.7.07

Sagração do Verão

Lisboa acolhe, com calor, sol e luz quem chega de Glasgow. Luminosa cidade, lhe parece, a quem vem de um dito verão, chuvoso e sempre de casaco nas terras altas das bretanhas grandes. Vamos celebrar o Verão, então. Voltamos em breve. O arquivo, e os links, muitos aqui ao lado, ficam para explorar. E não perder fio à meada.

Humor involuntário

O Google Translator acaba de me traduzir Mr. Ban Ki-moon, o secretário-geral das Nações Unidas, como Senhor Proibição Ki-lua.

5.7.07

Virgem mas pouco

Há algo de virgem pudica na forma como Carmona se apresenta às eleições. Ele diz que fica porque não é vaidoso, e vá de retro acha que nunca mais se quer envolver com nenhum partido. O que ele nunca assume, e isto é fraqueza, não força, é que a Lisboa destes últimos seis anos tem a sua marca indelével: o compadrio, a corrupção, a falta de transparência, mas também as ruas sujas, o túnel que mais carros trouxe para a cidade que perde cada vez mais habitantes. Carmona não é virgem, faz-se. E há sempre quem esteja disposto a louvar estes técnicos muito mais perigosos que os políticos.

4.7.07

Radio Nostalgia

Entra-se no táxi e o mais improvável dos motoristas tem sintonizado um oásis radiofónico. Fala-se de Echo & The Bunnymen e dos Waterboys. Ele não muda a estação, segue imperturbável, mas acabou de alegrar a minha noite. Recupere-se a nostalgia.


Echo & The Bunnymen, Killing Moon


The Waterboys, This is the sea

Cine Paraíso

Já repararam como o Cinerama está mais bonito? A S. desenhou, a Rita continua a alimentar críticas, notícias e opiniões, enquanto os rapazes continuam quietinhos (mea culpa). Mas entregue só às duas, vale ainda mais a pena!

Salamaleques

As duas velhotas fazem a festa do encontro e entretêm-se a dizer como cada uma delas está tão bem. Até que uma faz o cumprimento final: «Está uma boneca, muito sexy!» E riem-se, com gosto.

3.7.07

Shame on you, mr Bush

Bush perdoou Libby e safou-o da pena de prisão, porque a decisão do juiz era «excessiva» (e às malvas a separação de poderes). Libby foi um senhor que para manter intacta a virgindade da administração que serviu não olhou a meios para dar cabo de quem denunciava a mentira do Iraque. Agora, Bush prova que mentir assim não merece cadeia. Só o outro senhor presidente que se esqueceu de dizer com quem fazia provas orais é que passou por um processo de impeachment.

2.7.07

Pouca terra

O serviço de restauração dos comboios dá prejuízo (à CP e às empresas que exploram os bares). Claro: experimente-se comprar uma garrafa de água e umas sandes de queijo e a coisa não ficará por menos de 4 euros. Assim, quem vai de viagem avia-se em terra.

Terror

Assusta ver a porta do terminal de aeroporto, que deixámos há 15 dias, destruída daquela forma. O terror tem destas coisas, tornar o banal em algo que se teme. Mas a melhor maneira para o combater não é, definitivamente, lançar anátemas sobre eixos do mal. Ao cultivar esse discurso, cultiva-se ainda mais o medo que eles querem fazer vencer. É isto que Bush nunca percebeu, nem perceberá. E esperemos que o escocês Brown o venha a perceber, porque Blair não quis.

1.7.07

Lança no mau português

Parece que anda meia blogosfera a atacar uma senhora Lança, Patrícia Lança, por uns dislates que escreveu sobre sodomia, sexo oral, homossexualidade e outras coisas que tais. Já outra meia casa, perde latim e tempo a defendê-la, nem que seja porque a rapariga tem uns arremedos neoliberalóides. Depois de ter seguido alguns links, como este por exemplo, a única coisa que me arrepia é o mau português da senhora (que se assina "Patricia Lanca"). E prefiro não meter mais nenhuma lança no debate.

30.6.07

Natureza artística ou literária

Quando Santana Lopes era presidente da Câmara da Figueira da Foz, passou a escrever no jornal A Bola e no Diário de Notícias artigos de opinião sobre desporto. Era também comentador na RTP. Durante o mandato, foi posta em causa a acumulação das funções de presidente de Câmara a tempo inteiro com as referidas colaborações, pelo que só recebeu metade da remuneração como autarca. Protestou, e o Tribunal deu-lhe razão: agora vai receber uma indemnização no valor de cerca de 75 mil euros – o correspondente à quantia que deixou de auferir de 1998 a 2001, anuncia hoje o Sol. Segundo o Tribunal, as colaborações eram de «natureza artística ou literária», ou seja, compatíveis com outras funções. É um facto: o país lembra-se bem da actividade de natureza artística ou literária deste senhor.

Bonde do Role


Descubro estes cariocas no El País. Divirto-me com eles - e com a irreverência da recensão: «Tres gamberretes sacados de una película de Kevin Smith, unos Beastie Boys con acné ávidos de follar, una cantante que juega a ser tan putón verbenero como Peaches y actitud punk más hedonista que discursiva. Son un chiste, sí, aunque al menos hace reír.» E venha co'a gente.

29.6.07

O mundo ao contrário

Há um homem (vejo-o da minha janela) a andar às voltas no Marquês de Pombal, de costas, para protestar contra a violência infantil. E há um piloto de Fórmula 1 que diz ter sido salvo de um acidente a 230km/h por ter o nome de João Paulo II no capacete. Os jacarandás já perderam a cor, deve ser isso.

Um milhão

Confirma-se: o E Deus Criou a Mulher ultrapassou esta quinta-feira um milhão de visitantes (e, neste momento, quase dois milhões de páginas vistas). Há números que importam. Obrigado!

28.6.07

Dúvida metódica

Como limpar um pólo riscado por um marcador de feltro? Hoje à noite: ler com especial cuidado as bulas científicas dos pacotes de detergentes.

Longe das facadas

"É evidente que houve reservas em função do perfil que foi apresentado quase de forma monárquica pelo dr. Durão Barroso e o presidente Sampaio limitou-se a ver se não havia alternativas dentro do maior partido que formava a coligação governamental", disse aos jornalistas. [João Gabriel, ex-assessor de Sampaio]

Surpresas boas

A Raquel surpreende-nos hoje com a notícia do 1º Lugar na 1ª FotoAventura organizada pela TMN na cidade de Lisboa, uma maratona fotográfica de 12 horas onde participaram cerca de 50 concorrentes. Os trabalhos estão expostos na Loja Dimensão em Alvalade e ser depois publicadas no site http://www.tshirtmania.pt/fotoaventura.

Teaser

Há números que contam. O défice? A emissão de CO2? O jackpot do euromilhões? Tudo importante, mas hoje não será nada disto. Ou muito me engano ou, ao fim do dia, comemoraremos um milhão que eu cá sei.

Up(ing) street

No in and out de Blair e Gordon, há um aspecto a reter: a delícia que é acompanhar esta sucessão na imprensa inglesa. Do Guardian (renovado, bonito) ao Independent passando pela Sky. Admirável internet.

Down(ing) street

Blair sai, Gordon entra. O mundo continua - e passa pelo Iraque, remember?

27.6.07

O comendador desportivo

[clicar para aumentar e ler]


[no cartaz: Despachar Rui Costa com um fuck him, ao melhor estilo fato de treino das docas de Manchester, despedir Mega Ferreira só porque o tipo não é merceeiro ou distribuir benesses a quem anda a estudar alternativas à Ota, prova aquilo que os meus pais sempre me ensinaram: o dinheiro não compra a educação, nem uma colecção de arte disfarça a borregada. ]

26.6.07

Se o New York Times o diz, quem somos nós para não nos embevecermos

[foto de Susana Raab para The New York Times]

Este país

Agora, é a Portela+2. Não se riam, que eles todos falam muito a sério.

Extinga-se

Há uma campanha nas ruas: a poluição visual de cartazes não nos deixa esquecer. Mas há quem bata recordes na confusão aos eleitores. Fernando Negrão quer «ser presidente» (essas eleições já foram há um tempito) mas também extinguir o Ippar ou a EPUL ou nada disto ou tudo isto ou meter água na EPUL quando afinal ele mete água é na campanha. E não se pode extinguir um candidato assim?

«avisos de Sandro

se a sua mulher lança pedras enquanto aspira poderá estar na presença de uma intifada do lar.»

[no sempre imprescindível Irmão Lúcia. oremos]

25.6.07

Blogo

Escrita minimalista, polémicas evitadas. Há aborto de novo, não apetece, enjoa-se a Ota e alternadeiras, dispensam-se folclores eleitorais ou achaques populistas. Este blogue tem uma agenda assim. Volátil. Interessa?

Wishful thinking

24.6.07

Turn-off the light (continued)

[um dia tramado] Um telemóvel perdido ad eternum num táxi, duas nódoas ao almoço, agora na TV, Demi Moore em inenarrável "Striptease". Deve ser o serviço público na RTP a alinhar pela actualidade de um salão erótico em Lisboa.

23.6.07

Turn-off the light

No deserto da televisão de sexta à noite (e com o bailarico dos santos a abanar a casa por todo o lado), desliga-se a coisa e ouve-se o Requiem de Fauré. Há uma alegria imensa, nesta decisão.


Que fizemos nós...

Reparo na edição de "Que fiz eu para merecer isto!", de Pedro Almodóvar, que o Público vendeu em tempos: na contracapa, as fotos que acompanham a sinopse são do filme "Negros Hábitos". Dois títulos que são duas belas metáforas para os descuidos habituais das edições de DVD em Portugal.

22.6.07

Actualizar a canção

O FMI aterrou hoje na Portela, sim senhor.

Olha, estou nas estatísticas!

«O número de inscritos nos centros de emprego caiu 13 por cento em Maio, abaixo da barreira dos 400 mil (397.482), o que equivale a menos 59.527 indivíduos do que no mesmo mês de 2006, avança hoje o Instituto de Emprego e Formação Profissional.» Mas (importante mas): quase 400 mil ainda estão desempregados.

Acusações

Terceira acusação para Pinto da Costa. Deve ser este o tri de que falava o papa há dias!

De Lisboa

Uma estrela cadente rasgou há pouco o céu limpo de Lisboa (sim, esta noite vêem-se as estrelas). Foi direitinha para Glasgow.

O melhor telejornal


O mundo todo cabe na mordacidade do melhor pivô do melhor telejornal nas televisões portuguesas. Neste momento, é com Jon Stewart que mais sei sobre Iraque ou as eleições americanas ou descobertas científicas ou literatura ou história ou... Incontornável.

[sim, dá a desoras na SIC Radical, but who cares?!]

21.6.07

Drenados

À bufaria da DREN ninguém contrapõe a de Rui Rio, que manda funcionários da Câmara filmar cidadãos para os denunciar publicamente. Temos pena.

20.6.07

A piada do ano

Hoje, uns senhores engravatados, de microfones assestados, mui bem postos e sentados, lançaram um livro com o título "Revolucionários!". Tal e qual: com exclamação. Não fosse trágico, dava vontade de rir. O país sentado e engravatado do Compromisso-para-eles-Portugal diz-se revolucionário. Kidding, right?

19.6.07

Importam-se de repetir?

«A lista do PSD à Câmara de Lisboa é encabeçada novamente por um independente, Fernando Negrão (...).» Desculpem? Inde...quê

[actualize-se, com o início de uma nota biográfica publicada pela Lusa: «O candidato social-democrata à Câmara de Lisboa, Fernando Negrão, é um independente que tem ocupado vários cargos políticos pelo PSD, e classifica-se como um "OPNI" ("objecto político não identificado"). Foi ministro da Segurança, da Família e da Criança no governo de Pedro Santana Lopes (PSD/CDS-PP), deixou recentemente a vereação na Câmara de Setúbal, onde garantiu ao PSD o melhor resultado de sempre naquele distrito, e é actualmente vice-presidente da bancada parlamentar social-democrata.» Os sublinhados, quase desnecessários, são meus.]

Globalização

No sábado, em Edimburgo, chovia muito. Amigos comentaram: este tempo, nesta altura do ano, só neste país. Hoje, em Lisboa, está pior.

Luta de classes

Os mesmos que todos os dias nos convencem do perigo da invasão espanhola, como se não trabalhassem e ganhassem com ela, gostam de dar trunfos a essa Espanha. TGV? Nem pensar, é caro. Como se o melhor continuasse a ser o Sud Express, para chegar à Europa, ou como se o Alfa Pendular ou o Intercidades fossem suficientes para quem vai de comboio ao Porto. Afinal, eles usam a ponte aérea Lisboa-Porto ou voam nos reluzentes bê-émes a 220 km/h. Ota ou outro aeroporto? Uma chatice, que não lhes interessa porque eles têm executive lounge e chegam 15 minutos antes da hora e não lhes fazem check-out. A luta de classes, já se vê, desenha-se na charneca.

18.6.07

Sem notas

Não sou pela Ota, nem por Alcochete, nem por Rio Frio, nem pela Portela. Faltam-me estudos. Mas estranho a estranha unanimidade contra a Ota (durante anos, muitos que a contestam defenderam-na), estranho o estranho silêncio que se abateu sobre Rio Frio (afinal era tão bom e já não serve?), estranho a estranha unanimidade a favor de Alcochete (que interesses repentinos estão lá representados?) e estranho que nunca se estranhem os voos rasantes sobre a cidade por causa da Portela (alguém já viu a Torre Eiffel ou o Big Ben de tão perto como se vê a Torre de Belém?). Resumindo: faltam-me estudos, mas sobram-me questões. E ninguém parece interessado em responder.

Buenos dias, Lisboa

Às 9h05, aterragem; 9h18, chega-se ao terminal, de autocarro; às 9h23, estão cumpridas as formalidades de identificação; às 9h43, está prevista a bagagem, anuncia o ecrã; a primeira mala sai às 10h05, uma hora depois. Barajas fica mais perto que a Portela.

13.6.07

Eilean a' Cheò

Por estes dias, aproveita-se o santo casamenteiro (para namorar). Voltamos já.

12.6.07

Perdoai-vos uns aos outros

O senhor padre que afinal é autarca, ou o autarca que gosta de usar a sua condição de padre (e, mal que pergunte, ó senhores bispos, porque é que os cristãos na política só merecem reparos, quando estão à esquerda?), devia saber que o perdão deve nortear as nossas vidas.

Lament*

A mais bela despedida de um Pai

(por agora em três partes, e a música de Newman, visceralmente bela).

* - A lament or lamentation is a song or poem expressing grief, regret or mourning. Many of the oldest and most lasting poems in human history have been laments

Paisagem

Passeio junto ao rio, Cacilhas, Maio/07

11.6.07

Chouriços

Encher chouriços dá nisto: a SIC Notícias passa um programa sobre cinema onde se publicita a programação dos canais Lusomundo, da TvCabo, que serão exibidos a... 10 de Junho.

Insuflar

Começa com as palavras que inauguraram a Cibertúlia (lembram-se?), para depois propor-nos como blogue da semana E Deus Criou a Mulher. Pedro Rolo Duarte na sua Janela Indiscreta (Antena 1) falou assim de nós. O ego insuflou um cadinho, pronto.

[Novo agradecimento transatlântico pela dica.]

10.6.07

Este país, no divã



Ota, Alcochete, Rio Frio. Charrua, DREN, insultos. Apito Dourado, Felgueiras, Casa Pia. Maddie, Rui Pedro. Défice, desemprego, pobreza. Estas possíveis legendas - e outras, idênticas - são desnecessárias.

9.6.07

Oxalá, ninguém se vá embora



No Sushi Leblon (a diáspora a lembrar-nos o bom que temos, sempre), descubro um vídeo que acho que nunca tinha visto, apesar de gostar muito da canção: «Oxalá», dos Madredeus. Agora que está na moda não gostar da música deles, dizer que é sempre a mesma coisa, que a voz dela já não sei quê, recupero este tema, porque continuo a gostar muito. E a pensar que se todas as coisas fossem tão boas assim, continuassem a ser tão boas assim, este país era bem mais suportável. Oxalá.

Charruas

Das duas, uma: ou Margarida Moreira é uma mulher de pêlo na venta, ou não gosta de laranjas, ou é uma malcriada, ou nada disto, e agora andam todos à procura de uma frasesinha menos espirituosa da senhora. Coisas dos jornais.

8.6.07

Cogumelos

Nem Ota, nem Rio Frio. Alcochete! Queremos o aeroporto na carreira de tiro, diz-nos mais uma cabecinha pensadora. Eu acho que ali nas Amoreiras ficava melhor: era pertinho de casa e acabava-se com as torres do Taveira.

[Agora (mais) a sério: leiam este comentário sobre a Portela.]

4 anos! (reprise)

Exige-se um agradecimento público a todos os que nos deixaram os parabéns (e aos outros, também). Sabem bem, leitores e amigos assim.

7.6.07

Reformar a reforma (caso prático)

"Morreu no passado sábado à espera da reforma, depois de há um ano lhe ter sido diagnosticada leucemia. Era professora na Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, e tinha batalhado pela aposentação que ainda não foi oficialmente decretada."

Reformar a reforma

Conclui-se por estes dias que a produtividade não é culpa de férias e feriados. Os finlandeses têm mais e saem-se melhor. Os patrões explicam muita quota parte deste insucesso, pois explicam: maus gestores, preocupados com o imediato, sem vistas largas e duradouras. Depois, há o país que gasta demais onde não deve, nem tem: reformas milionárias, como as que o número dois do PSD à Câmara de Lisboa vai ganhar aos 53 anos, pela PT (empresa do Estado). Quando o Governo estende a idade da reforma para lá do sol posto, estes senhores reformam-se ainda novos para verear a cidade, a acumular dinheiros. Lembro-me dos desempregados: estes podem receber uns dinheiritos extra, se biscatarem coisas incertas, precárias e temporárias, até 50 por cento do salário mínimo. Leram bem: menos de 200 euros ao mês, a juntar ao lu(i)xo do subsídio de desemprego. Mas eles, os desempregados, é que são uma praga de preguiçosos e chulos. É, deve ser.

Feriado, por deus

Hoje é feriado. Do Corpo de Deus. Corpus Christi, que tantos desconhecerão. Tocarão os sinos das igrejas, ao compasso da procissão, que descerá pelas ruas da Sé de Lisboa à Praça do Município. Muito a propósito esta mania de cruzar fé e política. Do dia que serve «para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo», alguém se lembrou de terminar o cortejo na praça maldita que tantos desejam. Há uma transubstanciação nesta estranha ligação.

6.6.07

Aos aviões

Este blogue preocupa-se com a Ota. E com Rio Frio. E desvelados os interesses que se unem em torno de uma e outro, propõe nova aerogare em Barajas. Aliás, parece que já há uma bem desenvolvida, e assim podemos carpir as lágrimas dos castelhanos continuarem com tudo. Mas depois não vale queixarem-se da hora à espera da bagagem depois da viagenzinha de autocarro porque não há mangas para aviões com mais de 200 lugares, das malas perdidas aos pontapés, dos check-ins acotovelados, dos taxistas que se chateiam com percursos de meia dúzia de metros... Otices, é o que é.

5.6.07

4 anos!

A Cibertúlia fez ontem quatro anos (eternidade!). Valha-nos a atenção dos outros. Obrigado a todos - e fiquem com a Scarlett, aí em baixo nas fotos e no vídeo, a padroeira deste lar.

Jesus & Mary... honey


The Jesus and Mary chain with Scarlett Johanson singing "Just Like Honey"

4.6.07

Desperdícios

Não percebo para que temos uma Louis Vuitton na Avenida da Liberdade, se a montra não tem o mais importante da marca.

Livros no túnel

Fernando Negrão passeou-se na feira (fui mais tarde, felizmente) e propõe-se revitalizar a dita (diz-nos a voz off). Como? "É preciso marketing e essas coisas...", "e trazer mais jovens". O sr. Negrão vai pouco à feira, ao falar dos jovens, e fala do resto como se o mal fossem cartazes cinzentos ou frases pouco bombásticas (estaria a pensar no cartaz dele?). Ao ouvir a reportagem, percebe-se o mal de Lisboa: muito marketing, pouca cidade. Ali ao lado, está o túnel para o provar.

3.6.07

Lisboa-Glasgow

Pub

Queixam-se amigos e leitores da publicidade que pinga quando abrem este blogue. A gerência pede desculpa mas a responsabilidade desses espaços é dos intervenientes. (Se alguém souber como, mata-se já a coisa.)

2.6.07

Intelectual, et pour cause...

O ex-ministro da Cultura Pedro Roseta pergunta se aquele livro vai a "livro do dia". Que sim (júbilo), e que não (lamento). Um intelectual sabe preservar a sua carteira.

Feira

A feira faz-se de encontros e desencontros, alguns inesperados. Todos os anos, é assim.

Buzinão

Chego a casa a estas horas e o mês de Junho é-me anunciado pelo bailarico da rua de cima. Mês de santos populares. O que me vale é que o Presidente da República vive para aqueles lados. Toquem lá bem alto.

1.6.07

Muito mais que boas intenções

É preciso que se ofereçam a todas as pessoas, independentemente do sexo, idade, origem racial ou étnica, religião ou crença, deficiência ou orientação sexual, as mesmas oportunidades.

Criança

O dia da Criança tem essa coisa boa da feira do Livro abrir às 10h. E sendo sexta estende-se até à meia-noite. Acho que hoje conseguirei a terceira escapadinha, apesar do ano pobre.