30.11.05

Mais um motivo para NÃO votar Cavaco


Pedro Granger, dito actor, apoia o dito candidato. [foto João Relvas, Lusa]

Despertares, menos

Pouco antes das oito, o martelar contínuo começa a ganhar forma, sente-se a parede ir abaixo. Porque será que as obras em casas de vizinhos têm de irromper, assim, cedo, para depois - com o sono entornado e o dia já alto - se acalmarem e quase parecerem um sussurro?

Despertares assim

Sete da manhã.

Curas inventadas para estes dias

Fechado o BdE, tomamos as aspirinas necessárias para estes tempos: um novo blogue colectivo, animado também por José Mário Silva, que se reinventa todos os dias, mesmo em letra minúscula. Nós agradecemos, no recato.

Em linha

29.11.05

Filmes Para o Milénio

Ciclo de Cinema Filmes Para o Milénio

às quartas, 21h, entrada livre
no Museu República e Resistência da Cidade Universitária - Lisboa
(Rua Alberto de Sousa - Zona B do Rego)



30 de Novembro
The Bottom Line: Privatizing the world (O bem comum)

7 de Dezembro
The Take

14 de Dezembro
The Corporation

28.11.05

Sementes da terra

"Denunciamos a ambiguidade do discurso do Magistério da Igreja sobre homossexualidade que contribui objectivamente para a discriminação social dos homossexuais. Afirmamos que os homossexuais não são cidadãos de segunda e que têm portanto igual dignidade e direito a ver reconhecida a sua diferença." [in Documento sobre Moral Sexual, do Movimento Católico de Estudantes, Setembro de 1993]

A partir de agora, a Terra lança sementes mais duradouras. Textos sem tempo, para que o tempo não os apague.

O macaco sábio

[Chinatown, San Francisco, EUA - por MM, 2005]


Cavaco Silva é o «macaco sábio, que não vê, não ouve e não fala», mas tira partido do silêncio. [Jerónimo de Sousa, este domingo.]

27.11.05

Cavaco, insiste - mas nós temos memória

"Cavaco Silva ficou surpreendido com a ordem governamental que obriga as escolas públicas a retirar os crucifixos das salas de aula. O candidato entende que não devem criar-se divisões «onde elas não existem». Em declarações reproduzidas na edição deste domingo do jornal Correio da Manhã o ex-primeiro-ministro chama a atenção para o facto de na sociedade portuguesa «predominarem os valores do catolicismo». Mas há uma coisa de que Cavaco Silva diz estar certo: «Face aos desafios que o país enfrenta, não é certamente este (os crucifixos) o problema que preocupa os portugueses». O candidato sublinhou saber e aceitar que «nos termos constitucionais há uma separação entre o Estado e a Igreja», mas voltou a frisar que «na sociedade portuguesa predominam os valores do catolicismo»."

Este é o mesmo senhor que tentou puxar da cartola, em 1995, uma ideia para cativar (algum) eleitorado "católico": o facto de Jorge Sampaio ser divorciado. Na altura, não pegou. Agora, volta a acenar aos católicos... Em questões que não existem, como ele próprio diz. Por isso, não se devem criar divisões onde não existem: retire-se os crucifixos.

Porque hoje é domingo

1. Sou católico.
2. Os crucifixos devem ser retirados das (poucas) escolas públicas onde estão.
3. A escola deve continuar a ser um espaço de conhecimento - das diferentes religiões, também.

26.11.05

A direita, sempre pela metade


A direita gosta de gritar liberdade no 25 de Novembro, mas esquece-se de o fazer no 25 de Abril. Porque a direita continua a esquecer-se que o Novembro do seu contentamento só foi possível por haver Abril. Não houvesse Abril, não havia quem gritasse liberdade.
Mas a direita é vezeira nestas coisas da História: a culpa da descolonização não foi do obstinadamente sós do regime fascista de Salazar, foi de Mário Soares; as guerras civis de Angola e Moçambique foram uma vergonha e deixaram muitos portugueses sem nada, esquecendo os que tudo perderam - mesmo a vida - na guerra colonial; a culpa do atraso da economia é das nacionalizações do PREC, não de uma classe empresarial intolerante com justos salários para os seus trabalhadores e indulgente para os seus próprios bolsos. A direita grita muito pela liberdade de Novembro; a direita gosta do Inverno, já se sabe.

25.11.05

Nã posso rir que fique feie


O Blogue de Esquerda acaba hoje, 30 anos depois do 25 de Novembro, dia decisivo para afirmar a liberdade de Abril (também pelas mãos de Eanes, que escolheu na altura o lado certo da luta. Hoje, equivocou-se com os rios que voltam a passar debaixo das pontes para atrapalhação acidental.)

24.11.05

E não se pode julgá-los?

Eduardo Catroga está na SIC Notícias a perorar, qual académico, sobre desemprego e défices e afins, como se não fosse ele responsável por nada do muito mal que se fez algures na primeira metade da década de 90. Estes senhores são chamados impunemente a debitar bitaites... Para dizerem como foram incompetentes? Não, para ensinar como deve ser, para os que lá estão, quando ele(s) não fez(izeram) nada.

Sexo fora nada (mais preliminares)

A minha questão sobre o documento do Vaticano que quer afastar os homossexuais dos altares não tem a ver com noção de pecado, caro timshel. O meu problema com este documento prende-se com o celibato - de que discordo e que entendo ser um problema para a questão da sexualidade, como ela se colocou nos EUA e noutros países. Se há celibato, a pretensa homossexualidade ou heterossexualidade do seminarista não se coloca [nota: hoje no Público - sem link - o padre Carreira das Neves fala a partir deste ponto de vista, vale a pena ler].

Ainda assim: também não concordo absolutamente com a abordagem que fazes do pecado e da homossexualidade, mas a esse tema voltarei depois, com mais tempo e fundamento (espero).

Dos limites da tolerância
[um comentário]

Caro Afonso, a frase que me atribuis não é minha, mas citei-a por me parecer correcta/discutível. E suponho que o problema começa pela "semântica": o verbo tolerar tem hoje um significado quase depreciativo - e o dicionário não ajuda: "do Lat. tolerare, v. tr., consentir tacitamente; ser indulgente; deixar passar; permitir; desculpar; suportar." [in priberam.pt] Menos mal com a tolerância, mas ainda assim imperfeito: "do Lat. tolerantia, s. f., qualidade de tolerante; acto ou efeito de tolerar; atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adoptada por si mesmo; acto de não exigir ou interditar, mesmo podendo fazê-lo; permissão; paciência; condescendência; indulgência" [idem]. Trago aqui as definições para se perceber como as palavras acabam por atrapalhar mais. Mas, como dizes, "nas actuais circunstâncias histórias não haverá princípio alternativo que satisfatoriamente possa substituir o princípio da tolerância. Abandoná-lo, ou tão-só enfraquecê-lo, miná-lo, produziria o efeito perverso de abrir espaço não tanto para o vazio quanto para a intolerância". Por mim, prefiro dizer que a minha liberdade começa onde começa a do outro - e é este o exercício que deve ajudarmo-nos a conhecer ("co-naître", co-nascer) com o Outro (sem ser só "tolerá-lo").

descredibilizar a blogosfera

«O que dizer de um blogue que coloca um pedido de esclarecimento ao governo, convida toda a blogosfera a colocar a mesma questão, e que quando o governo responde, escreve:

"ver o Primeiro-ministro a responder aos blogues da micro-causa" (ah ah o parvalhãozeco que caíu no engodo de andar atrás do meu micro-rebanho)

"Ele fá-lo por arrogância, convencido que ganha uns pontinhos, mas está muito enganado." (ele está muito enganado, o arrogante)

O que não se encontra entre aspas e em itálico é, embora não pareça, da minha autoria.» [timshel]

Cartas ao Pai Natal
[de um e-mail]

Cartas ao Pai Natal I - Mário Soares

Pai Natal
Acordei agora da sesta. Tive um sonho original.
Conversei com a Maria
E achamos que não é sonho
Mas uma ideia genial!
Já fui ministro, primeiro-ministro
E duas vezes presidente deste país
Está na hora de mudar de ares
Aceitar novos desafios
Levar mais longe o nome de Portugal
Ou o meu nome? Como sempre quis.
Como tu tenho já uma certa idade
E no ventre a mesma proeminência
Decidi que para o ano quero ser o Pai Natal.
Portanto?
Olha pá faz as malas. Desocupa a Lapónia.
Vou ser eu o Pai Natal.
Tem lá paciência.

Assinado: Mário Soares
(Ex-deputado. Ex-Primeiro Ministro. Ex-Presidente da República. Ex-Deputado europeu. Futuro Pai Natal)


Cartas ao Pai Natal II - Manuel Alegre
Pai natal quando voares nos céus da minha Pátria
Quando aterrares as renas nas planícies do meu País
Lembra-te desta carta, pedido singelo
De um homem que só para a Pátria pede
Para si? Nada quis.
Se o nevoeiro que levou D. Sebastião
Te fizer perder o rumo e baralhar o norte
Segue o cheiro a verde pinho
Ouve a minha trova no vento que passa
E chegarás às chaminés do meu país
Pátria desafortunada. Sem euros. Má sorte.
Numa das chaminés de Lisboa
Sentirás o odor e verás o fumo negro da traição
Que o teu trenó sobre ela paire
Que sobre a chaminé de Soares a tua rena páre
E solte bosta. Um imponente cagalhão.

Assinado: Manuel Alegre


Cartas ao Pai Natal III - Francisco Louçã
Isto não é uma carta!
É um manifesto. Um protesto. Uma petição
Assinada por dezenas de intelectuais
E outras pessoas que jamais
Se reviram numa festa
Bacanal
Orgia de oferendas
Dadas sem qualquer critério
E que perpetuam uma tradição
Caduca. Reaccionária. Clerical.
Que tu representas oh pai do natal.
Com esta petição pretendemos
Que a data seja referendada
Não imposta, decretada
Por um estado economicista e liberal
E que seja celebrada quando um homem quiser
Não à roda da mesa. Consoada.
Mas num portuguesíssimo arraial.

Assina: Francisco Louçã


Cartas ao Pai Natal IV - Aníbal Cavaco Silva
Excelentíssimo Senhor Doutor Pai Natal
Venho por esta via pedir para a minha Maria
O Kama Sutra, versão condensada
Não sei se a minha Maria teria
Para a versão completa e ilustrada
Suficiente pedalada.
Eu para mim
Por ora nada peço
E de momento nada digo
Não abdico do meu direito de manter o suspense
E de fazer tabu do meu posterior pedido.
Mas?. E só isto adianto
Não preciso de Viagra
Para acompanhar a minha Maria na leitura
Do acima citado livro
Que teso e hirto ando eu sempre
Não precisando por isso de muleta
Ou qualquer outro suplemento
Para manter a rigidez
E o meu porte sobranceiro.
Despeço-me atentamente economizando palavras
Porque como vossa Excelência sabe:
Os tempos são de crise e tempo é dinheiro.

Assina o Professor Doutor:
Cavaco Silva


Cartas ao Pai Natal V - Jerónimo de Sousa

Camarada

Tu que és explorado pela entidade patronal
Durante a época do Natal
Usado como símbolo do capitalismo
Para fomentar o consumismo
Desenfreado, descontrolado
Que enriquece a burguesia
E empobrece o proletariado
Junta-te a nós no combate
Contra a guerra no Iraque
Oferece Che Guevaras, não ofereças Action Man's
Luta pela igualdade feminina
Não dês Barbies mas Matrioshkas
Educa as crianças de hoje
Comunistas amanhã
Substitui o Harry Potter pelo livro "O Capital".
Camarada
Reivindica o teu direito a um transporte decente
Pára o trenó e as renas
Que não é veículo de gente operária e trabalhadora
Como tu oh pai natal!
Unidos venceremos o imperialismo e os reaccionários
Viva o Natal dos oprimidos!
Viva o Natal dos operários!

Assinado pelo candidato: Jerónimo de Sousa
(Carta aprovada por unanimidade e braço no ar pelo Comité Central do PCP)

23.11.05

A lógica que nos mantém cativos

No sítio do costume.

Sexo fora nada

Gays fora dos seminários, dizem hoje as notícias. O Vaticano que me corrija: mas os heterossexuais também não estão fora dos seminários? Afinal, o sexo não é para ficar de fora da vida dos padres?!